OpenAI: empresa do ChatGPT cria joint venture para popularizar suas IAs na rotina de trabalho (Getty Images)
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Publicado em 22 de abril de 2026 às 10h41.
A OpenAI, dona do ChatGPT, começou a se movimentar para ter uma joint venture em parceria com companhias de private equity. Chamada DeployCo, a empresa foi registrada em Delaware, nos Estados Unidos, e terá um investimento inicial de US$ 500 milhões da empresa de inteligência artificial.
O projeto terá apoio adicional de nomes como TPG, Bain Capital, Advent International, Brookfield e Goanna Capital, que juntos devem direcionar US$ 4 bilhões em aporte para a joint venture. Há, ainda, a possibilidade de mais US$ 1 bilhão da OpenAI como investimento direto a depender do andamento da iniciativa. A primeira rodada de investimentos, com encerramento previsto para maio, deve garantir valuation de US$ 10 bilhões à empresa.
A empresa nasce com um propósito específico: mergulhar dentro de negócios e reorganizá-los em torno de IA. A ideia é tornar mais popular o uso das ferramentas da OpenAI em ambientes corporativos, sendo os clientes prioritários as próprias empresas do portfólio das gestoras que estão investindo na joint venture. Essa estrutura tem como objetivo garantir, desde o primeiro dia, uma carteira de clientes cativos e motivados.
O movimento vem após a rival Anthropic sair em busca da modalidade de investimento private equity com consultoria que auxilie empresas a adotarem IA na rotina com facilidade. Jeff Bezos fez o mesmo com o Project Prometheus: o executivo da Amazon fundou uma empresa com US$ 6,2 bilhões em financiamento voltada para direcionar IA a setores físicos e industriais.
Para executar esse trabalho, a DeployCo aposta num modelo inspirado na empresa de software americana Palantir, que popularizou os chamados engenheiros forward-deployed, desenvolvedores de software que são literalmente alocados dentro das empresas clientes para ajudá-las a integrar e operar tecnologia de forma eficaz. Brad Lightcap, que até recentemente ocupava o cargo de diretor de operações da OpenAI, está à frente da nova empresa. Dezenas de profissionais já foram contratados e e outros virão por meio de cessões temporárias de funcionários da própria OpenAI, informou a reportagem original.
A estrutura de controle garante que a empresa-mãe mantenha rédea curta: a OpenAI deterá a maioria do capital e terá ações com direito a voto superior, além de um retorno anual mínimo de 17,5%. Para o FT, uma fonte sobre o processo de criação da DeployCo comentou que a companhia “gera receita sendo a melhor do mundo em implantação de IA, em reestruturar negócios. Se estivermos no início deste ciclo [de adoção de IA], então esse é um ativo muito valioso".
A busca por atenção de private equity se torna mais frequente no mercado de IA à medida que companhias aceleram a transição pela abertura de capital (IPO). A diretora de receitas da OpenAI, Denise Dresser, sintetizou o diagnóstico interno em uma comunicação recente à equipe de vendas obtida pelo FT: o principal gargalo para as empresas adotarem IA não é a qualidade dos modelos, mas a capacidade de implementá-los.