A inteligência artificial generativa é “a maior coisa de todos os tempos”, segundo John Doerr, um dos investidores mais conhecidos do Vale do Silício e responsável por apostas iniciais em empresas como Google e Amazon.
Em entrevista ao Wall Street Journal, Doerr afirmou que a atual revolução da IA supera ondas anteriores de inovação, como o computador pessoal, os microchips, a internet, os navegadores, o iPhone e a computação em nuvem.
“Maior coisa de todos os tempos. Desde tudo”, disse Doerr ao ser perguntado sobre qual seria a comparação mais adequada para a revolução da IA.
Para o investidor, a inteligência artificial ainda foi subestimada. “Não sabemos como a IA vai moldar o novo mundo da educação, do emprego, da saúde — da vida como a conhecemos”, afirmou.
Os tsunamis da inovação
Doerr usa a palavra “tsunami” para descrever grandes ondas tecnológicas. Segundo ele, esses ciclos aparecem em intervalos aproximados de 13 anos.
A sequência começa em 1980, com a revolução dos computadores pessoais e dos microchips. Depois vieram os navegadores e a internet, seguidos pelo iPhone e pela computação em nuvem.
Agora, para Doerr, a inteligência artificial generativa representa a maior dessas ondas.
“Apenas três anos depois do lançamento do ChatGPT, 50% dos americanos dizem usar IA generativa, e a criação de valor está fora de escala”, disse.
Entre eles, citou a transição climática e a transformação da saúde.
O investidor entrou na Kleiner Perkins Caufield & Byers em 1980, tornou-se chairman da firma em 2016 e hoje investe por meio de seu family office. Ele também integra o conselho da Alphabet, controladora do Google.
Segundo Doerr, seu trabalho como investidor é “encontrar, financiar e acelerar” empreendedores capazes de usar tecnologia para criar novas empresas.
O que ele busca em fundadores
Ao falar sobre empreendedores, Doerr disse que a primeira pergunta que faz é se aceitaria “entrar em apuros” com aquela pessoa.
Segundo ele, por mais bem-sucedida que uma empresa pareça do lado de fora, construir uma companhia é sempre uma disputa difícil.
“A verdade é que você tira a tampa da lata e, por dentro, é uma lata de minhocas”, afirmou.
Para Doerr, os melhores fundadores enxergam o mundo de forma diferente, dominam tecnologia, sabem montar times e conseguem vender sua visão a funcionários, clientes e investidores.
As lições de Amazon e Google
Doerr citou Jeff Bezos e os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, como alguns dos empreendedores que mais o ensinaram.
Ele conheceu Bezos em 1996, nos primeiros escritórios da Amazon. Segundo Doerr, o fundador era ambicioso, frugal e obcecado pelo cliente.
Três anos depois, em 1999, Doerr conheceu Page e Brin na garagem onde o Google nasceu, em Menlo Park.
Na época, investiu US$ 12 milhões na empresa em troca de 12% de participação. O Google foi avaliado em US$ 100 milhões naquela rodada.
Segundo Doerr, muitos consideraram o preço alto. Hoje, a companhia tem valor de mercado de US$ 3,89 trilhões, de acordo com os dados citados pelo WSJ.
“O que me fez cair da cadeira foi o tamanho do pensamento de Larry e Sergey”, disse Doerr. “Eles viram algo que o resto de nós ainda não tinha visto.”
De semáforos que se ajustam sozinhos ao fluxo de veículos a sistemas capazes de prever congestionamentos, a inteligência artificial já está transformando a mobilidade urbana em diversas cidades do mundo
Nova ferramenta apresentada pela Anthropic promete identificar vulnerabilidades em uma velocidade inédita — o avanço pode fortalecer a defesa digital, mas também aumenta a preocupação de bancos, governos e reguladores
A inteligência artificial já auxilia advogados, escritórios e tribunais na análise de documentos e na elaboração de peças, mas seu uso sem checagem pode gerar erros graves, violações éticas e responsabilização profissional
Ferramentas como Windsurf, Cursor e Google Antigravity aproximam o desenvolvimento do vibe coding, em que o usuário descreve o que quer e a IA ajuda a escrever, testar e corrigir o software