(Evan Vucci/AFP)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 25 de maio de 2026 às 10h17.
Última atualização em 25 de maio de 2026 às 10h29.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que um acordo de paz com o Irã envolve que mais países árabes, incluindo o próprio Irã, assinem os Acordos de Abraão, que incluem o reconhecimento de Israel e a normalização das relações diplomáticas com os israelenses.
"As negociações com a República Islâmica do Irã estão progredindo bem! Ou será um ótimo acordo para todos, ou nenhum acordo — de volta à linha de frente e aos tiroteios, mas maiores e mais fortes do que nunca — e ninguém quer isso!", disse Trump, em postagem na rede Truth Social, na manhã desta segunda-feira, 25.
"Afirmei que deveria ser obrigatório que todos esses países, no mínimo, assinassem simultaneamente os Acordos de Abraão", afirmou Trump. "É possível que um ou dois tenham um motivo para não o fazer, e isso será aceito, mas a maioria deveria estar pronta, disposta e apta a fazer deste Acordo com o Irã um evento muito mais histórico do que seria de outra forma."
Trump disse que os países envolvidos nas negociações são a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (já membro dos Acordos de Abraão), Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein (também membro).
"Ao conversar com vários dos grandes líderes, eles se sentiriam honrados em ter a República Islâmica do Irã como parte dos Acordos de Abraão assim que nosso documento fosse assinado. Uau, isso seria algo extraordinário!", disse Trump.
Os Acordos de Abraão são uma série de tratados de normalização diplomática firmados a partir de 2020 entre Israel e alguns países árabes, mediados pelos Estados Unidos no primeiro governo do presidente Donald Trump.
O nome foi escolhido em referência à figura bíblica de Abraão, ancestral comum das tradições judaica, cristã e islâmica
Em setembro de 2020, Emirados Árabes e Bahrein estabeleceram relações diplomáticas formais com Israel em uma cerimônia na Casa Branca. Poucos meses depois, Sudão e Marrocos aderiram ao processo, ampliando o alcance dos acordos.
Para cada um desses países, os termos negociados incluíam contrapartidas específicas oferecidas pelos Estados Unidos, como o reconhecimento americano da soberania marroquina sobre o Saara Ocidental e a retirada do Sudão de uma lista de Estados patrocinadores do terrorismo.
Os Acordos de Abraão representaram uma forte mudança de posição no Oriente Médio. Desde 1948, prevalecia o princípio de que nenhum país árabe normalizaria relações com Israel sem que antes houvesse uma solução para a questão palestina.
Alguns analistas apontam que esses acordos fizeram com que os palestinos se sentissem mais pressionados com a perda de apoio regional, e isso teria estimulado os ataques de 7 de outubro de 2023, quando terroristas do Hamas invadiram Israel e mataram mais de mil pessoas.
Depois disso, Israel invadiu Gaza e destruiu boa parte da infraestrutura da região, onde viviam 2 milhões de pessoas. O conflito entrou em cessar-fogo em 2025.