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Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 15h01.
As ações da Unitree, fabricante chinesa conhecida por seus robôs humanoides capazes de dançar e dar cambalhotas, fecharam o primeiro dia de negociação com alta de 460%, em uma estreia que evidenciou o apetite dos investidores chineses pelo setor de robótica. Os papéis chegaram a subir 629% durante o pregão desta quarta-feira, 19, antes de encerrarem cotados a 845 yuans, cerca de US$ 125.
A empresa de Hangzhou levantou 6,1 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 904 milhões, naquela que foi a primeira grande oferta pública inicial de ações, ou IPO, de uma fabricante de robôs humanoides na China continental. A ação, lançada por cerca de US$ 22, chegou a ser negociada por aproximadamente US$ 163.
Ao fim da sessão, a Unitree alcançou valor de mercado próximo de US$ 50 bilhões, apesar de ter registrado receita de US$ 252 milhões e lucro líquido de cerca de US$ 41 milhões em 2025. No preço definido para o IPO, a companhia já havia sido avaliada em aproximadamente 219 vezes o lucro obtido no ano passado.
A procura pelas ações ocorre em meio ao esforço da China para transformar a robótica humanoide em uma indústria estratégica. Fabricantes locais, entre elas Unitree e AgiBot, têm se beneficiado da cadeia chinesa de componentes eletrônicos, motores, baterias e sistemas industriais para ampliar a produção em ritmo superior ao de concorrentes dos Estados Unidos.
Segundo dados da Smart Analytics Global citados pela reportagem original, empresas chinesas responderam por cerca de 97% das remessas globais de robôs humanoides no primeiro semestre de 2026, e a Unitree concentrou aproximadamente 31% desse mercado.
Os números de embarques, contudo, ainda não significam adoção em larga escala. A aplicação de humanoides em fábricas, escritórios e residências esbarra em limitações técnicas de sistemas de inteligência artificial, que precisam interpretar ambientes pouco previsíveis, além da dificuldade de desenvolver mãos robóticas com destreza próxima à humana.
O salto da Unitree na Bolsa mostra que parte dos investidores está precificando uma expansão acelerada de um mercado que ainda busca comprovar demanda comercial recorrente.
A companhia também enfrenta obstáculos fora da China. O governo dos Estados Unidos restringiu a importação de determinados novos robôs humanoides produzidos no exterior. De acordo com documentos apresentados pela Unitree no processo de abertura de capital, o mercado americano respondeu por 13% de sua receita em 2025.
A Unitree ganhou visibilidade doméstica com demonstrações públicas de seus equipamentos. No Festival da Primavera deste ano, uma apresentação exibida na televisão chinesa colocou unidades do modelo G1, vendido por cerca de US$ 13,5 mil, em uma coreografia de kung fu.
O catálogo inclui ainda um humanoide descrito pela empresa como “Superman”, que, segundo a própria Unitree, seria capaz de correr mais rápido que o velocista Usain Bolt, além do GD01, um robô gigante pilotável com preço de cerca de US$ 650 mil. As alegações de desempenho são feitas pela fabricante.
O IPO também atraiu investidores ligados ao setor chinês de inteligência artificial. A startup DeepSeek investiu aproximadamente US$ 20 milhões na operação, segundo as informações divulgadas.
A estreia ainda levou Wang Xingxing, fundador da Unitree, de 36 anos, ao grupo dos bilionários chineses: sua participação na companhia terminou o pregão avaliada em cerca de US$ 15,9 bilhões.A valorização recorde coloca a Unitree no centro de duas tendências simultâneas: o esforço industrial chinês para liderar a produção de robôs humanoides e a disposição do mercado financeiro de pagar antecipadamente por uma adoção que, no mundo real, ainda depende de avanços técnicos e de demanda comercial consistente.