Inteligência Artificial

Nos anos 1960, uma IA enganou humanos — e assustou até seu criador

Um dos primeiros programas de conversação da história mostrou como máquinas podem simular diálogo humano — e levantou dúvidas que seguem atuais

Criado nos anos 1960, o ELIZA mostrou como uma IA pode simular conversas e influenciar a percepção humana (Malte Mueller/Getty Images)

Criado nos anos 1960, o ELIZA mostrou como uma IA pode simular conversas e influenciar a percepção humana (Malte Mueller/Getty Images)

Publicado em 13 de abril de 2026 às 07h27.

Muito antes da popularização da inteligência artificial, um experimento realizado na década de 1960 já indicava o potencial e os riscos dessa tecnologia.

Desenvolvido no MIT, um programa chamado ELIZA foi capaz de simular uma conversa com humanos de forma convincente, a ponto de enganar usuários e gerar reações inesperadas, inclusive no próprio criador.

O experimento que surpreendeu

Criado pelo cientista da computação Joseph Weizenbaum, ELIZA foi projetado para imitar um psicoterapeuta.

O programa respondia às mensagens dos usuários reformulando frases e devolvendo perguntas, criando a impressão de escuta ativa.

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Quando alguém escrevia algo como “estou me sentindo triste”, o sistema respondia com perguntas como “por que você está se sentindo triste?”.

A estrutura simples, baseada em padrões de linguagem, era suficiente para manter diálogos coerentes, ao menos na superfície.

Mesmo sabendo que estavam interagindo com uma máquina, muitos usuários passaram a tratar o programa como se fosse humano.

Há registros de pessoas que preferiam conversar com o sistema em privado e demonstravam envolvimento emocional com as respostas recebidas.

O comportamento chamou atenção porque o programa não “entendia” o que estava sendo dito — apenas reorganizava frases com base em regras pré-definidas.

Ainda assim, a sensação de diálogo era convincente o suficiente para gerar confiança.

O impacto no criador

O próprio Weizenbaum ficou surpreso com a reação das pessoas.

O que havia sido pensado como um experimento técnico revelou um efeito psicológico mais profundo: a tendência humana de atribuir compreensão e intenção a máquinas.

O episódio levou o pesquisador a adotar uma postura crítica em relação ao avanço da inteligência artificial, questionando até que ponto essas tecnologias deveriam ser utilizadas em contextos sensíveis, como atendimento emocional.

Décadas depois, sistemas de IA se tornaram mais sofisticados, mas o princípio observado no experimento permanece relevante.

A capacidade de gerar respostas coerentes pode criar a impressão de entendimento real, mesmo quando o funcionamento é baseado em padrões e dados.

Esse episódio histórico ajuda a contextualizar debates atuais sobre confiança, limites e uso responsável da inteligência artificial.

À medida que essas ferramentas se tornam mais presentes no cotidiano, compreender como elas funcionam — e como podem influenciar o comportamento humano — se torna essencial.

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