Inteligência Artificial

Patrocinado por:

logo-totvs-preto

No encontro do G7, Claude e ChatGPT entram na mesa dos líderes

Sam Altman, Dario Amodei e Demis Hassabis participam de encontro que discute infraestrutura, riscos e governança da IA

Sam Altman, Trump e Hassabis: CEOs de IA se encontram com líderes globais (Julia Demaree Nikhinson / POOL/AFP)

Sam Altman, Trump e Hassabis: CEOs de IA se encontram com líderes globais (Julia Demaree Nikhinson / POOL/AFP)

Publicado em 17 de junho de 2026 às 10h42.

Os principais líderes da inteligência artificial mundial chegaram ao G7. Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, Demis Hassabis, do Google DeepMind, e Arthur Mensch, da Mistral, participaram nesta quarta-feira, 17, de um almoço de trabalho com chefes de Estado em Evian-les-Bains, na França.

É a primeira vez que os responsáveis pelos maiores laboratórios de IA do mundo se sentam formalmente à mesa dos líderes das principais economias para discutir infraestrutura, segurança, regulação e os riscos estratégicos da tecnologia.

O encontro marca um novo estágio na ascensão política da inteligência artificial. Se até poucos anos atrás os debates sobre IA estavam concentrados em empresas e centros de pesquisa, agora os executivos que controlam os modelos mais avançados do mundo passaram a ocupar espaço nas discussões sobre segurança nacional, competitividade econômica e soberania tecnológica.

Cerca de uma dezena de outros executivos de tecnologia também participa do encontro, segundo a CNBC e a Reuters.

A lista inclui Aidan Gomez, da Cohere; Robin Rombach, da Black Forest Labs; Pratyush Kumar, da Sarvam AI; Victor Riparbelli, da Synthesia; Alex Wang, da Meta; Marc Benioff, da Salesforce; e Ren Ito, da Sakana AI.

O que está na mesa?

A pauta inclui infraestrutura de IA, redes e questões regulatórias, segundo o briefing do Palácio do Eliseu, residência oficial do presidente francês Emmanuel Macron.

Riscos de fronteira em inteligência artificial, especialmente nos domínios cibernéticos e biológicos, também estão entre os temas, segundo Chris Lehane, diretor de assuntos globais da OpenAI, à CNBC.

A proteção de menores online é outro ponto central da agenda. O tema é descrito como prioridade pessoal de Sam Altman, que participa pela primeira vez do encontro anual do G7 a convite pessoal de Macron.

A discussão ocorre em meio ao avanço do debate sobre "IA soberana" na Europa. A dependência de provedores americanos passou a ser tratada por governos europeus como um risco estratégico, especialmente diante de restrições recentes impostas pelos Estados Unidos a modelos avançados de IA.

O pano de fundo: a crise entre Anthropic e a Casa Branca

A presença de Amodei ganhou peso adicional após uma escalada de tensão entre a Anthropic e o governo americano. O governo dos Estados Unidos ordenou que a Anthropic suspendesse o acesso de cidadãos estrangeiros aos modelos Fable 5 e Mythos 5, citando motivos de segurança nacional.

A diretriz afetou inclusive funcionários estrangeiros da própria empresa. Segundo o Wall Street Journal, a decisão veio depois de uma ligação entre autoridades americanas e o Amodei, que teria reforçado a desconfiança do governo Trump em relação à gestão de riscos da companhia.

Na semana passada, funcionários técnicos da Anthropic foram a Washington para tentar reverter o bloqueio e recompor a relação com a Casa Branca antes da cúpula do G7.

O Wall Street Journal também relatou que a Amazon, uma das principais investidoras da Anthropic, influenciou a decisão do governo sobre a forma como a restrição seria aplicada.

O episódio fortaleceu os pedidos por "IA soberana" na Europa. Para líderes europeus, a possibilidade de restrições americanas afetarem o acesso a modelos avançados reforça a pressão por infraestrutura própria, fornecedores locais e menor dependência de empresas dos Estados Unidos.

O peso simbólico da presença

A presença simultânea dos principais CEOs de IA numa cúpula do G7 é descrita por analistas como um sinal da nova distribuição de poder em torno da tecnologia. Laboratórios privados passaram a controlar sistemas com impacto direto sobre segurança, economia, educação, trabalho e defesa.

Macron tem perseguido uma estratégia ativa de aproximação com líderes globais de tecnologia, com o objetivo de posicionar a França como um polo de IA.

Uma das iniciativas envolveu Masayoshi Son, fundador do SoftBank, convencido a estabelecer operações de data center no país, em um compromisso de investimento de 45 bilhões de euros pela empresa japonesa.

A presença dos executivos também ocorre em um momento em que CEOs de tecnologia deixaram de ser exceção em fóruns multilaterais.

Em Davos, a participação de líderes do setor já havia mostrado como disputas tecnológicas passaram a ocupar o centro das discussões globais.

Além da inteligência artificial, a agenda desta edição do G7 inclui os conflitos militares na Ucrânia e no Irã, segundo relatos da imprensa internacional.

Acompanhe tudo sobre:GoogleAnthropicOpenAI

Mais de Inteligência Artificial

Quem são os profissionais que pagam R$12 mil na assinatura mais cara do Claude?

MANGOS: a sigla que fez Wall Street trocar Apple e Amazon por Nvidia e OpenAI

França abandona Palantir e reforça aposta em IA própria

SpaceX compra Cursor em aposta de US$ 60 bilhões na IA