Bilionário avalia fundir sua empresa aeroespacial com a de IA (BRENDAN SMIALOWSKI / Colaborador/Getty Images)
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Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 14h17.
Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 14h49.
Elon Musk está há meses mencionando seus planos de levar a inteligência artificial (IA) para o espaço, com a instalação de data centers em órbita. O projeto agora ganhou novo fôlego após a divulgação de uma suposta proposta de fusão entre a SpaceX e a xAI, noticiada pela Reuters nesta quinta-feira, 29.
A possível fusão reuniria a empresa aeroespacial com o braço de IA criado por Musk e facilitaria a integração entre infraestrutura espacial e sistemas de IA.
A SpaceX já lançou milhares de satélites como parte do serviço de internet Starlink e opera uma estrutura própria de acesso ao espaço, condição necessária para projetos que dependem de constelações orbitais em grande escala — como a operação de data centers.
Além disso, a SpaceX avalia realizar uma oferta pública inicial (IPO) ainda neste ano, que poderia avaliar a empresa em mais de US$ 1 trilhão. Parte dos recursos seria destinada ao desenvolvimento de satélites com IA voltados à operação de data centers em órbita.
A ideia de levar os data centers para o espaço prevê o uso de satélites interligados, alimentados por energia solar, para processar cargas intensivas de dados.
A abordagem tem sido discutida no setor de tecnologia em meio ao aumento dos custos operacionais de data centers terrestres, pressionados pelo consumo de energia.
Musk afirmou neste mês, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, que data centers movidos a energia solar no espaço poderiam ser mais baratos que instalações em solo, por não precisarem de equipamentos tradicionais de refrigeração.
Para especialistas do setor espacial, a viabilidade comercial desse tipo de infraestrutura ainda enfrenta restrições operacionais, como a exposição do hardware à radiação e aos detritos espaciais, sem contar os custos de lançamento.
O Deutsche Bank estima que instalações iniciais em pequena escala possam ocorrer entre 2027 e 2028, com foco em testes de eficiência e custo.
A Blue Origin, empresa aeroespacial de Jeff Bezos, desenvolve tecnologias voltadas a data centers de IA no espaço e projeta que instalações orbitais possam competir em custo com estruturas terrestres no longo prazo.
A Starcloud, apoiada pela Microsoft, lançou o satélite Starcloud-1, equipado com um chip Nvidia H100, utilizado para treinamento e execução de modelos de IA e o mais poderoso já colocado em órbita. A empresa planeja criar um hipercluster modular de satélites, com cerca de cinco gigawatts, comparável ao de vários data centers de hiperescala combinados.
O Google conduz pesquisas na área por meio do Projeto Suncatcher, que busca conectar satélites movidos a energia solar equipados com TPUs em uma nuvem orbital de IA. Um protótipo inicial está previsto para 2027, em parceria com a Planet Labs.
A China também anunciou planos para lançar data centers de IA no espaço nos próximos cinco anos. A principal contratada espacial do país prometeu desenvolver uma infraestrutura em escala gigawatt, segundo informações divulgadas pela mídia estatal.