Nvidia: empresa mais valiosa do mundo atua no segmento de inteligência artificial. (VCG/VCG/Getty Images)
Repórter
Publicado em 14 de março de 2026 às 05h01.
Na corrida da inteligência artificial, os concorrentes da Nvidia (NVDA) são também seus clientes. E seus clientes, em muitos casos, desenvolvem chips para competir com ela.
É nesse arranjo que a empresa mais valiosa do mundo estrutura sua estratégia e o nome dado a esse modelo é coopetição — uma mistura de cooperação e competição.
“Vivemos um modelo de coopetição, que combina cooperação e competição”, afirma Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da companhia na América Latina, em entrevista à EXAME.
Empresas como Microsoft, Amazon, Google e Oracle estão entre os maiores compradores das Unidades de Processamento Gráfico (GPUs) da Nvidia. Elas utilizam os chips para treinar modelos de linguagem e oferecer infraestrutura de IA como serviço.
Ao mesmo tempo, essas companhias desenvolvem semicondutores próprios para aplicações específicas.
Segundo Aguiar, a diferença está na abrangência. “Algumas desenvolvem chips próprios, mas com finalidades específicas. Nossas GPUs são multipropósito e voltadas ao treinamento de grandes modelos”, diz.
O sistema que fez a OpenAI valer US$ 500 bilhõesNa prática, os mesmos grupos que investem bilhões para criar alternativas internas seguem dependentes da arquitetura da Nvidia para escalar seus projetos de IA.
A Nvidia fornece a base computacional utilizada por empresas como a OpenAI e pelas principais nuvens públicas globais.
A companhia mantém quatro grandes cloud service providers, 26 Nvidia Cloud Partners e mais de 500 empresas de software desenvolvendo sobre suas plataformas. O ecossistema reúne mais de 6 milhões de desenvolvedores no mundo.
O modelo de coopetição revela uma característica central do ciclo atual da IA: quem compete na ponta depende de quem fornece a base. Essa estrutura amplia a interdependência entre a Nvidia e empresas que, em outras frentes, disputam mercado entre si.