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Mark Zuckerberg e Satya Nadella: CEOs tiveram dias opostos (Wikimedia Commons/Fundo gerado por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 30 de julho de 2026 às 09h18.
Última atualização em 30 de julho de 2026 às 09h20.
Nos últimos meses, a Microsoft amargou uma queda de cerca de 18% em Wall Street, pressionada pela dúvida dos investidores sobre se seus gastos bilionários em inteligência artificial (IA) trariam retorno.
Na quarta-feira, 29, a companhia divulgou um resultado acima das projeções e reverteu parte dessa desconfiança. Na mesma noite, foi a Meta que decepcionou — apesar de a receita superar o esperado, a ação caiu. Às 9h16, no horário de Brasília, a Meta operava em queda de quase 10% no pré-mercado, enquanto a Microsoft subia na mesma proporção.
As duas empresas reportaram no mesmo dia e compartilham o desafio de sustentar investimentos recordes em infraestrutura de IA. A diferença apareceu no que cada balanço mostrou sobre o retorno desse gasto.
A Microsoft fechou o ano fiscal com receita de US$ 90 bilhões no trimestre, alta de 17,75% e acima dos US$ 87,6 bilhões projetados por analistas.
O lucro por ação ajustado foi de US$ 4,74, superando o consenso em 11,81%, e o lucro líquido subiu 29,57%, para US$ 35,3 bilhões.
A Azure, plataforma de nuvem da empresa, cresceu 40% no trimestre. Para o período seguinte, a companhia projeta crescimento de cerca de 45% em moeda constante.
A carteira de contratos futuros — receita já contratada e ainda não reconhecida — alcançou US$ 678 bilhões, alta de 84% em um ano.
Segundo o CEO, Satya Nadella, a Microsoft adicionou um gigawatt de capacidade de data center no trimestre e mantém o plano de dobrar sua estrutura física em dois anos.
A empresa estendeu a vida útil contábil de seus data centers e prédios de 15 para 25 anos a partir do ano fiscal de 2027, mudança que reduz a depreciação futura e ajustou a previsão de gasto de capital de 2026 para US$ 175 bilhões.
A Meta registrou receita de US$ 60,8 bilhões no trimestre, alta de 28% e acima da projeção de cerca de US$ 59,5 bilhões. O lucro por ação foi de US$ 6,18, abaixo dos US$ 7,17 esperados por analistas, e caiu 13% em relação ao ano anterior. A margem operacional passou de 43% para 31%.
Os gastos de capital somaram US$ 31,1 bilhões no trimestre, mais do que o dobro dos US$ 17 bilhões de um ano antes. O fluxo de caixa livre foi de US$ 784 milhões, ante US$ 8,55 bilhões no mesmo período do ano anterior.
As despesas totais subiram 55%, para US$ 42 bilhões, incluindo US$ 2,4 bilhões em custos jurídicos e US$ 1,18 bilhão em indenizações ligadas a um corte de pessoal em maio.
A empresa elevou o piso da previsão de gasto de capital para 2026, de US$ 125 bilhões para US$ 130 bilhões, mantendo o teto em US$ 145 bilhões, e sinalizou despesas maiores em 2027.
"A IA está acelerando nosso negócio principal hoje, potencializando nossa próxima geração de produtos e abrindo a porta para oportunidades corporativas inteiramente novas", afirmou Mark Zuckerberg.
Uma distinção de modelo de negócio separa as duas empresas. A Microsoft vende capacidade de nuvem a outras companhias pelo Azure, o que converte o investimento em IA em uma linha de receita direta e mensurável.
A Meta não tem um braço de nuvem comercial e seu gasto em IA se destina sobretudo a melhorar os próprios produtos de publicidade e a desenvolver modelos como o Muse Spark.
Segundo o Yahoo Finance, é por isso que a Meta vinha negociando oferecer capacidade de nuvem a terceiros, incluindo conversas com a Anthropic — um movimento que criaria uma fonte de receita em IA fora da publicidade, semelhante à que a Microsoft já tem.
Os resultados se inserem em um momento em que o gasto das grandes empresas de tecnologia com infraestrutura de IA cresce mais rápido que a receita.
Segundo a S&P Global, o investimento de capital das companhias de nuvem deve somar mais de US$ 682 bilhões em 2026 e ultrapassar US$ 878 bilhões em 2027.