Inteligência Artificial

Governo Trump estuda processo para revisar modelos de IA antes de lançamento público

Com nova possível decisão estratégica, governo dos Estados Unidos analisa meios de revisar modelos IA antes que estejam disponíveis ao público

Donald Trump: presidente dos EUA estaria negociando processos formais para revisar IAs antes que cheguem ao público (Andrew Harnik/AFP)

Donald Trump: presidente dos EUA estaria negociando processos formais para revisar IAs antes que cheguem ao público (Andrew Harnik/AFP)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 5 de maio de 2026 às 09h59.

O governo dos Estados Unidos tem estudado a criação de um processo formal de revisão governamental para novos modelos de inteligência artificial antes que eles cheguem ao público. Segundo o The New York Times, o anúncio deve vir por decreto executivo e representaria uma mudança importante na postura da administração em relação à regulação do setor após a ruptura entre o governo de Donald Trump e Anthropic, criadora do assistente Claude.

Conforme a reportagem, a Casa Branca cogita criar um grupo de trabalho sobre IA formado por executivos de tecnologia e representantes do governo. O processo de revisão seria inspirado no modelo que está em desenvolvimento para o Reino Unido, no qual agências reguladoras avaliam padrões de segurança para novos modelos. Representantes do governo já teriam realizado reuniões com executivos da Anthropic, do Google e da OpenAI para entender a melhor forma de seguir com os planos regulatórios.

A mudança de tom é significativa. Ao retornar à Casa Branca, Trump havia revogado medidas de IA do governo Biden que eram vistas como atrasos no desenvolvimento da tecnologia; ele classificou a decisão como uma estratégia para evitar "viés ideológico" no setor. Em dezembro, o próprio presidente anunciou um decreto para impedir que os estados do país consigam o direito de regulamentar a IA, argumentando que "deve haver um único manual se quisermos continuar liderando em inteligência artificial". A declaração foi apoiada por líderes como Jensen Huang, da Nvidia, e Sam Altman, da OpenAI.

Após caso Anthropic, EUA pode ter nova visão sobre regulação de IA

O catalisador da virada é a briga com a Anthropic, que se tornou um dos episódios mais dramáticos do setor de tecnologia nos últimos meses. Em fevereiro, a empresa se recusou a conceder ao Departamento de Defesa o uso irrestrito de sua tecnologia para aplicações militares, citando preocupações com armas autônomas e vigilância em massa de civis americanos. O secretário de Defesa Pete Hegseth fixou um prazo para que a Anthropic cedesse, o que não aconteceu, e Trump ordenou que agências federais deixassem de utilizar as ferramentas da companhia avaliada em US$ 380 bilhões.

A empresa de IA respondeu com uma ação judicial, classificando a designação como "sem precedentes e ilegal" e alertando que contratos federais já estavam sendo cancelados, colocando em risco centenas de milhões de dólares no curto prazo. Em março, uma juíza federal suspendeu provisoriamente o rótulo de "risco à cadeia de suprimentos" imposto pelo Pentágono, mantendo a empresa apta a seguir em contratos federais enquanto o processo segue — mas o governo recorreu da decisão.

A disputa não impediu, no entanto, que ambas as partes voltassem a negociar. Em abril, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, se reuniu com a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, para discutir o Claude Mythos Preview, novo modelo da empresa com foco em cibersegurança. Conforme testes feitos pelo instituto britânico AI Security Institute, a IA obteve 73% de sucesso em tarefas de nível especialista na identificação de vulnerabilidades. Assim, a possível supervisão prévia de modelos de IA sugere que, mesmo numa administração que apostou na desregulação como vantagem competitiva, os riscos da tecnologia passaram a pesar na equação. 

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