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OpenAI, empresa responsável pelo desenvolvimento do ChatGPT. (Justin Sullivan/Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 11h18.
O primeiro aparelho da OpenAI começa a ganhar contornos concretos, e eles são pouco convencionais. Segundo a Bloomberg, o produto será um alto-falante inteligente sem tela, com formato de rosquinha e tamanho aproximado de um disco de hóquei, feito para ser carregado pela casa com uma mão só. O preço discutido internamente fica entre US$ 300 e US$ 400, acima da maioria dos alto-falantes do mercado e abaixo de um iPhone. O lançamento é esperado para 2027.
A característica mais incomum: o aparelho terá peças que se movem sozinhas, um recurso pensado para sinalizar quando ele está respondendo ou interagindo e dar a sensação de que o objeto tem personalidade, em vez de ser mais uma caixa parada na mesa. Também haverá luzes indicando quando está ouvindo, além de câmera e sensores para captar o ambiente e alimentar a IA com informação visual. Funcionará com bateria, para operar na mão do usuário, no criado-mudo ou na bancada da cozinha.
A proposta é posicionar o produto como um computador que nasce da IA, e não como assistente de voz doméstico, categoria hoje dominada por Amazon e Google. Na prática, a experiência deve lembrar o modo de voz do ChatGPT no celular, porém com modelos mais avançados e capacidade de aprender sobre o usuário ao longo do tempo, ajustando as conversas.
O desenho é assinado pela LoveFrom, estúdio de Jony Ive, o designer por trás do iPhone, do iPad e do Apple Watch. Ive cofundou a io Products, startup de hardware que a OpenAI comprou por cerca de US$ 6,4 bilhões em 2025 justamente para entrar nesse mercado. Como nos projetos anteriores dele, o aparelho terá acabamento premium e materiais nobres, com uso de metal de alta qualidade.
A ambição de longo prazo é maior: construir uma família de dispositivos e, algum dia, oferecer algo capaz de substituir o smartphone. O alto-falante é visto internamente como a porta de entrada menos arriscada, já que categorias sempre ligadas, como óculos inteligentes, levantam mais preocupações de privacidade.
Há um obstáculo relevante. Em 10 de julho, a Apple processou a OpenAI, a io Products e ex-funcionários, alegando apropriação de segredos industriais ligados a design de hardware, métodos de fabricação e informações de fornecedores. A ação cita, entre outros pontos, uma técnica de acabamento em metal que a OpenAI teria pedido a um fornecedor histórico da Apple.
O caso escalou nos últimos dias. Na terça-feira, 4, a Apple pediu uma liminar para impedir a OpenAI de seguir desenvolvendo o aparelho com base na tecnologia que considera sua, e ampliou o escopo: afirma que ao menos 13 ex-funcionários podem estar envolvidos, contra os dois nomeados na queixa original. A empresa sustenta ainda que mais de 400 ex-funcionários seus trabalham hoje na OpenAI.
A OpenAI reagiu em duas frentes. Pediu ao juiz que arquivasse o processo, argumentando que está construindo algo inteiramente diferente de qualquer coisa da Apple, e classificou a acusação sobre o acabamento metálico como vaga e genérica.
Em carta aos advogados da rival, o escritório que a defende chamou a postura da Apple de descuidada, agressiva e estranhamente pessoal, dizendo que a empresa ataca práticas comerciais comuns. Segundo pessoas a par do desenvolvimento, a OpenAI fez uma apuração interna após a ação e concluiu que o produto não usa segredos da Apple.
O calendário judicial agora corre em paralelo ao do produto: a OpenAI tem até 17 de agosto para responder ao pedido de liminar, e o juiz marcou a audiência sobre o tema para 1º de outubro. Internamente, segundo a Bloomberg, a empresa segue a todo vapor com o desenvolvimento.
Vale notar o que a disputa não alcança. A Apple vende a linha HomePod, mas não tem nenhum alto-falante a bateria nem um aparelho doméstico centrado em IA. Trabalha, porém, em um hub para casa com tela acoplada a um braço robótico, capaz de se mover no espaço para acompanhar quem fala com ele.