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OpenAI renegocia acordo com Microsoft e deve economizar US$ 97 bilhões em pagamentos

Segundo o The Information, novo contrato permite que OpenAI mantenha teto fixo de US$ 38 bilhões

Sam Altman: CEO da OpenAI tem acordo com a Microsoft (Florian Gaertner/Getty Images)

Sam Altman: CEO da OpenAI tem acordo com a Microsoft (Florian Gaertner/Getty Images)

Publicado em 12 de maio de 2026 às 05h56.

A renegociação do acordo entre OpenAI e Microsoft, fechada em outubro do ano passado, vai poupar à empresa de Sam Altman cerca de US$ 97 bilhões em repasses até 2030, segundo informações do site The Information. O valor reflete a diferença entre o que poderia ser pago sob as regras antigas e o que está previsto no contrato atual.

O contrato original obrigava a OpenAI a entregar 20% de toda a sua receita à Microsoft até 2030 — montante que, dependendo do crescimento da empresa, poderia alcançar US$ 135 bilhões.

Com a reformulação, a fatia terá um teto fixo de US$ 38 bilhões. Segundo o The Information, a própria diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, quem comunicou os novos parâmetros a investidores.

A mudança faz parte de uma transformação maior. Em 28 de outubro de 2025, a OpenAI concluiu sua conversão para o modelo de empresa de benefício público, sob controle da fundação sem fins lucrativos que a criou. Foi nesse contexto que o acordo com a Microsoft foi reescrito.

O que cada lado ganhou

A Microsoft abriu mão da participação direta na receita, mas saiu da negociação com ativos relevantes: uma fatia de 27% na OpenAI Group PBC, avaliada em cerca de US$ 135 bilhões, e um compromisso da OpenAI de consumir US$ 250 bilhões em serviços de nuvem Azure ao longo dos próximos anos. O acesso à propriedade intelectual desenvolvida pela OpenAI foi garantido até 2032.

Dan Ives, analista da Wedbush, avalia que o novo arranjo é favorável à Microsoft porque consolida seis anos de acesso à tecnologia da empresa e resolve de vez a instabilidade que rondava a parceria desde que a OpenAI começou a crescer aceleradamente.

O contrato original previa ainda uma cláusula relacionada ao desenvolvimento de AGI: se um painel independente declarasse que a OpenAI havia atingido a inteligência geral artificial, o mecanismo de repasse de receita poderia ser alterado de forma significativa. Essa cláusula foi eliminada. A verificação de AGI ainda tem consequências — encerra os direitos de pesquisa da Microsoft —, mas não mexe mais nos valores pagos.

Fim da exclusividade com o Azure

Até outubro, a Microsoft detinha o direito exclusivo de fornecer infraestrutura de nuvem para a OpenAI. Esse privilégio acabou. Os produtos da empresa continuam sendo lançados primeiro no Azure quando a infraestrutura necessária estiver disponível, mas a OpenAI pode agora fechar contratos com Amazon Web Services e Google Cloud para outros serviços.

A abertura já provocou tensão. O Financial Times informou que, em março, a Microsoft avaliou entrar com ação judicial contra a Amazon e a OpenAI após um contrato de US$ 50 bilhões que daria à AWS direitos preferenciais de hospedagem para a plataforma corporativa Frontier.

A disputa gira em torno de uma interpretação contratual: a Microsoft entende que qualquer produto baseado em API da OpenAI deve rodar no Azure; a OpenAI considera o Frontier uma categoria diferente, não sujeita a essa restrição.

Segundo o jornal britânico, a Amazon chegou a discutir um aporte de até US$ 50 bilhões na OpenAI, o que indica que a disputa pela hospedagem da empresa vai muito além de uma briga bilateral com a Microsoft.

IPO no horizonte

A OpenAI mira uma abertura de capital no quarto trimestre deste ano.

Segundo Ives, dois dos principais entraves para essa listagem eram exatamente os pontos renegociados: a exclusividade com o Azure e a cláusula de escalada de pagamentos vinculada à AGI. Com ambos removidos, o caminho para o mercado público ficou mais desobstruído.

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