Inteligência Artificial

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A comida do futuro já está sendo criada por inteligência artificial

De novos sabores a produtos desenvolvidos com base em tendências de consumo, a inteligência artificial está acelerando a criação de alimentos e transformando a forma como a indústria decide o que chegará às prateleiras

Empresas já utilizam inteligência artificial para criar novos alimentos, testar sabores e antecipar tendências de consumo (Lilanakani/Getty Images)

Empresas já utilizam inteligência artificial para criar novos alimentos, testar sabores e antecipar tendências de consumo (Lilanakani/Getty Images)

Publicado em 21 de junho de 2026 às 07h02.

Durante décadas, criar um novo alimento foi um processo lento. Equipes de pesquisa precisavam identificar tendências, testar ingredientes, desenvolver protótipos físicos, enviar amostras para laboratórios e repetir o ciclo inúmeras vezes até chegar ao resultado esperado.

Agora, a inteligência artificial está mudando essa lógica e encurtando o caminho entre uma ideia e o lançamento de um produto nas prateleiras.

A tecnologia já está sendo utilizada por empresas do setor alimentício para analisar preferências dos consumidores, prever tendências de consumo e até simular digitalmente novos produtos antes que eles sejam produzidos fisicamente.

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A IA está ajudando a descobrir o que o consumidor quer

Uma das etapas mais complexas no desenvolvimento de alimentos sempre foi entender o comportamento do consumidor.

Tradicionalmente, as empresas recorriam a pesquisas, entrevistas e grupos focais para descobrir quais sabores, ingredientes ou formatos tinham mais potencial de sucesso.

Embora essas ferramentas continuem importantes, a inteligência artificial ampliou significativamente a capacidade de análise.

Hoje, algoritmos conseguem examinar milhões de comentários publicados em redes sociais, fóruns, avaliações de produtos e tendências de busca na internet para identificar mudanças de comportamento antes mesmo que elas se tornem evidentes para o mercado.

Na prática, isso permite que fabricantes percebam rapidamente o crescimento do interesse por determinados ingredientes, restrições alimentares ou hábitos de consumo emergentes.

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Do laboratório para o computador

Mas a transformação não acontece apenas na pesquisa de mercado.

A inteligência artificial também está mudando a forma como os alimentos são formulados. Em vez de produzir dezenas de protótipos físicos para testar diferentes combinações, empresas passaram a utilizar simulações digitais capazes de prever características como sabor, textura, estabilidade e valor nutricional.

Esses sistemas funcionam como uma espécie de "gêmeo digital" do produto. Antes mesmo de um ingrediente ser misturado em um laboratório, a tecnologia consegue avaliar milhares de combinações possíveis e apontar quais têm maior chance de atender aos objetivos definidos pela empresa.

O resultado é uma redução significativa no tempo de desenvolvimento e no desperdício de ingredientes durante a fase de testes.

Criando novos sabores

O impacto da tecnologia também está chegando à inovação culinária.

Empresas especializadas utilizam inteligência artificial para analisar propriedades químicas e moleculares dos ingredientes, identificando combinações que dificilmente seriam descobertas apenas por tentativa e erro.

A NotCo, por exemplo, utiliza uma plataforma chamada Giuseppe para desenvolver alternativas vegetais a alimentos de origem animal.

O sistema analisa a composição molecular dos produtos e sugere ingredientes capazes de reproduzir características semelhantes de sabor, aroma e textura.

Outras empresas estão utilizando modelos semelhantes para criar receitas inéditas, testar novas formulações e desenvolver produtos adaptados a públicos específicos.

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Sustentabilidade entra na equação

Além da inovação, a inteligência artificial também está ajudando a tornar a indústria mais eficiente.

Sistemas inteligentes podem prever demanda, otimizar estoques, reduzir desperdícios e até reorganizar rotas logísticas em tempo real.

Em fábricas, tecnologias de inspeção visual conseguem identificar defeitos ou problemas de qualidade com precisão superior à observação humana em determinadas etapas do processo. Isso significa menos perdas de matéria-prima, melhor aproveitamento de recursos e operações mais sustentáveis.

O futuro da alimentação

Especialistas acreditam que a inteligência artificial não substituirá cientistas de alimentos, nutricionistas ou chefs. O que está acontecendo é uma mudança na forma como esses profissionais trabalham.

Ao assumir tarefas de análise, simulação e processamento de grandes volumes de dados, a tecnologia permite que equipes de pesquisa se concentrem em decisões estratégicas e criativas.

Se antes o desafio era descobrir qual produto desenvolver, agora a pergunta começa a ser outra: quanto tempo levará para que uma ideia se transforme em um alimento real. E, cada vez mais, a resposta parece depender de algoritmos.

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