Repórter
Publicado em 7 de julho de 2026 às 10h30.
A duas semanas do início das convenções partidárias, a escolha do candidato a vice-presidente ganhou peso estratégico nas campanhas à Presidência.
No caso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a definição passou a ser vista como uma das principais decisões da pré-campanha, diante da necessidade de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, fortalecer alianças e reorganizar o campo bolsonarista após a crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Entre os principais presidenciáveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve Geraldo Alckmin (PSB) na chapa à reeleição. Ronaldo Caiado (PSD) escolheu Gilberto Kassab como vice, enquanto Renan Santos (Missão) anunciou o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina. Já Flávio Bolsonaro e Romeu Zema (Novo) ainda não definiram seus companheiros de chapa.
Um dos nomes mais fortes é o da economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Filiada ao Republicanos desde abril, ela participa da elaboração do programa econômico da campanha e coordena propostas voltadas ao eleitorado feminino. Integrantes do PL avaliam que sua indicação também poderia facilitar a aproximação com o Republicanos, segundo O Globo
O presidente da legenda, Marcos Pereira, porém, afirmou que qualquer negociação sobre a vice dependerá primeiro de acordos nos estados, onde PL e Republicanos ainda discutem alianças.
Outra cotada é a deputada Bia Kicis (PL-DF). Próxima de Michelle Bolsonaro, ela também mantém interlocução com a campanha de Flávio, o que faz aliados enxergarem na parlamentar uma possibilidade de reduzir os desgastes internos provocados pelo rompimento entre os dois grupos.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC), apoiada por Eduardo Bolsonaro, também segue no radar. Apesar da identificação com a base bolsonarista, integrantes da campanha avaliam que sua escolha teria menor capacidade de ampliar o eleitorado para além do núcleo mais fiel do partido.
Também são citadas a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vista como uma ponte com o agronegócio e partidos de centro, e a deputada Simone Marquetto (PP-SP), cuja experiência como prefeita é apontada por aliados como um ativo para ampliar o diálogo com lideranças municipais.
Outro presidenciável que ainda não anunciou o vice é Romeu Zema. No início da pré-campanha, houve conversas sobre uma possível composição com Flávio Bolsonaro, mas as negociações foram interrompidas após o episódio envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, conhecido como caso "Dark Horse".
Desde então, Zema passou a fazer críticas públicas ao senador, embora tenha afirmado que apoiaria Flávio em um eventual segundo turno contra Lula.
De acordo com O Globo, interlocutores do governador mineiro apontam o empresário Geraldo Rufino, filiado ao Podemos, e a presidente nacional do partido, deputada Renata Abreu (Podemos-SP), entre os nomes avaliados para compor a chapa. A expectativa é que a definição ocorra nas próximas semanas, antes das convenções partidárias.
*Com O Globo