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Grécia Antiga: milhares de papiros estão perdidos (Freepik)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 05h01.
O Apollo é um modelo de inteligência artificial criado para decifrar textos em grego antigo e ajudar pesquisadores a reconstruir papiros danificados. Desenvolvido pelo Instituto Arqueológico Austríaco, Mistral e Sail Reply, o sistema foi treinado com 600 milhões de palavras e pode preencher lacunas, buscar referências e auxiliar na leitura de manuscritos históricos.
Cerca de 1 milhão de papiros em grego antigo que nunca foram lidos estão espalhados por bibliotecas e museus do mundo. Muitos estão rasgados, apagados ou cheios de lacunas, e reconstruí-los é um trabalho que pode consumir anos de um especialista. Agora, um modelo de inteligência artificial (IA) promete fazer parte desse trabalho em horas.
Batizado de Apollo, em referência ao deus grego da luz e patrono das artes e das ciências, o sistema é apresentado como o primeiro grande modelo de linguagem criado especificamente para o grego antigo. Ele foi desenvolvido pelo Instituto Arqueológico Austríaco, ligado à Academia Austríaca de Ciências, em parceria com a empresa francesa de IA Mistral e a consultoria Sail Reply, do grupo italiano Reply. O projeto é liderado pela historiadora e papiróloga Anna Dolganov.
O Apollo foi treinado com um acervo de 600 milhões de palavras de textos gregos históricos, reunidas de manuscritos, inscrições e papiros, o maior corpus digital de grego histórico já montado, segundo os responsáveis.
A partir dele, o sistema sugere as palavras ou os trechos mais prováveis para preencher as lacunas de um texto danificado, faz buscas por tema e significado em toda a tradição escrita grega e ajuda a decifrar textos escritos à mão. Segundo relatos publicados na segunda-feira, 22, o modelo passou a ser oferecido gratuitamente a pesquisadores por meio de uma interface de chatbot.
"Existem 1 milhão de papiros gregos no mundo que nunca foram lidos, dezenas de milhares deles na Coleção de Papiros da Biblioteca Nacional da Áustria", afirmou Dolganov no anúncio do projeto. "Tesouros de conhecimento histórico como esses são o nosso alvo." Para o presidente da Academia, Heinz Faßmann, a iniciativa mostra que "a IA e as línguas antigas não são uma contradição".
Os especialistas, porém, moderam as expectativas. A maior parte dos papiros ainda não restaurados não guarda peças perdidas de Sófocles ou poemas inéditos de Homero, e sim documentos do dia a dia: cartas pessoais, contratos de casamento e papéis da administração pública.
O valor do Apollo, nesse caso, está em revelar detalhes da vida comum na Antiguidade e acelerar um trabalho que hoje depende quase só de especialistas raros, liberando-os para interpretar os textos em vez de montar quebra-cabeças de letras.
O Apollo se soma a uma série de projetos que usam IA para recuperar a Antiguidade. O Google DeepMind já havia apresentado, na revista Nature, dois sistemas para restaurar inscrições antigas: o Ithaca, em 2022, voltado ao grego, e o Aeneas, em 2025, que trabalha com latim e grego. O caso mais espetacular, no entanto, vem de Herculano, cidade romana soterrada pela erupção do Vesúvio no ano 79.
Lá, uma biblioteca inteira de papiros carbonizados, a maioria em grego, foi encontrada no século 18, mas não podia ser aberta sem virar pó.
O primeiro chatbot do mundo tem 60 anos — e assustou seu criadorCom tomografias de alta resolução e IA, pesquisadores do Vesuvius Challenge, competição que já distribuiu US$ 1,8 milhão em prêmios, conseguiram em junho ler pela primeira vez o texto completo de um rolo ainda fechado. Entre as descobertas recentes estão 70 colunas de uma obra do filósofo epicurista Filodemo sobre os vícios humanos.
Neste mês, um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley mostrou que o chumbo presente na tinta de alguns rolos gera um sinal mais forte nos raios X, o que pode ajudar a identificar quais deles têm mais chance de serem lidos.
Para a Academia Austríaca, o Apollo é só o começo. "Este modelo marca o início de uma jornada empolgante no estudo da Antiguidade", disse Dolganov.
O Apollo é um modelo de inteligência artificial desenvolvido para auxiliar pesquisadores no estudo do grego antigo. O sistema sugere reconstruções de trechos danificados, pesquisa informações em textos históricos e ajuda a interpretar manuscritos e papiros.
O Apollo foi desenvolvido pelo Instituto Arqueológico Austríaco, ligado à Academia Austríaca de Ciências, em parceria com a empresa francesa de inteligência artificial Mistral e a consultoria Sail Reply, do grupo italiano Reply. O projeto é liderado pela historiadora e papiróloga Anna Dolganov.
O Apollo foi treinado com um acervo de 600 milhões de palavras de textos em grego histórico, reunidas a partir de manuscritos, inscrições e papiros. Segundo os responsáveis pelo projeto, é o maior corpus digital de grego histórico já criado.
O Apollo analisa o contexto dos textos e sugere palavras ou trechos prováveis para preencher lacunas causadas por rasgos, desgaste ou perda de tinta. A ferramenta também ajuda a localizar padrões e referências em grandes volumes de documentos antigos.
Segundo Anna Dolganov, existem cerca de 1 milhão de papiros gregos espalhados por bibliotecas e museus que ainda não foram lidos. Muitos estão danificados ou incompletos e exigem trabalho especializado para serem reconstruídos.
A maior parte dos papiros ainda não restaurados contém documentos do cotidiano, como cartas, contratos e registros administrativos, e não grandes obras literárias perdidas. O principal potencial da ferramenta está em revelar detalhes da vida comum na Antiguidade.
O Google DeepMind criou os sistemas Ithaca, voltado ao grego antigo, e Aeneas, para latim e grego. O Vesuvius Challenge usa IA e imagens de tomografia para decifrar papiros carbonizados encontrados em Herculano, incluindo textos que não poderiam ser abertos fisicamente.