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No vibe coding, a linguagem natural passa a fazer parte do processo de criação de software (Magnific)
Redatora
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 05h02.
Criar um site, automatizar uma tarefa ou tirar um aplicativo do papel já não exige, em todos os casos, que a pessoa escreva o código sozinha.
Com ferramentas de IA, boa parte desse trabalho pode começar com uma descrição do que se pretende construir. Nesse cenário, saber transformar uma ideia em instruções claras passa a ter um peso maior no processo de desenvolvimento.
O movimento ganhou um nome em 2025. Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI, chamou de vibe coding a prática de criar software conversando com uma IA e deixando que ela produza grande parte do código.
Na definição original, a pessoa pode acompanhar menos os detalhes da programação e concentrar a interação em explicar o que quer, testar o resultado e pedir mudanças.
Quando a IA escreve a parte operacional, a qualidade do resultado passa a depender também da qualidade da orientação recebida.
Por exemplo, “faça um aplicativo de controle financeiro” é uma instrução aberta demais.
A ferramenta ainda precisaria descobrir quais dados serão registrados, como as despesas serão classificadas, quais telas existirão, quem poderá acessar as informações e o que deverá acontecer quando um usuário cometer um erro.
Uma instrução mais detalhada reduz essas ambiguidades. O profissional pode definir o objetivo, explicar quem vai usar a aplicação, estabelecer restrições e descrever como saberá que o resultado está correto. Depois, testa o que foi produzido e corrige a rota.
A diferença está menos em conhecer a sintaxe de uma linguagem específica e mais em saber especificar um problema.
O próprio conceito de vibe coding surgiu associado a projetos nos quais o desenvolvedor não acompanha necessariamente cada linha produzida pela IA.
Karpathy descreveu a prática como adequada, em especial, para projetos descartáveis e experimentais, e reconheceu que o código pode crescer além da compreensão imediata de quem o criou.
Para um protótipo simples, isso pode ser suficiente. Em aplicações que lidam com dados sensíveis, pagamentos, segurança ou grandes bases de usuários, a capacidade de revisar código, identificar falhas e entender arquitetura continua sendo relevante.
A mudança aparece na divisão do trabalho. A pessoa pode definir o problema e os critérios de sucesso, enquanto a IA cuida de parte da implementação.
Isso aumenta o valor de profissionais capazes de explicar com precisão o que precisam, fornecer contexto, avaliar versões e identificar o que deve ser corrigido.
Para quem trabalha com tecnologia, portanto, aprender a escrever bons comandos significa acrescentar uma nova camada à profissão.
A barreira para criar um primeiro software diminui quando a linguagem natural consegue orientar a construção, mas transformar uma ideia em um produto confiável continua exigindo julgamento humano.