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Um projeto de IA pode funcionar em testes controlados e encontrar obstáculos quando chega à operação em larga escala. (Imagem gerada por IA)
Redatora
Publicado em 5 de setembro de 2026 às 07h00.
Um projeto de inteligência artificial pode apresentar bons resultados em um teste controlado e, ainda assim, não estar pronto para ser usado por toda uma empresa.
A passagem do piloto para a operação envolve mudanças de volume, processos, custos e responsabilidades. É nessa etapa que problemas que pareciam pequenos começam a comprometer a viabilidade da iniciativa.
Antes de escolher uma tecnologia, a empresa precisa definir qual problema pretende resolver. Um piloto criado apenas para “testar IA” dificilmente terá critérios suficientes para justificar sua expansão.
A iniciativa precisa partir de uma necessidade concreta, como reduzir o tempo de atendimento, automatizar uma tarefa repetitiva ou melhorar a análise de determinados documentos. Sem um resultado esperado, fica difícil determinar se o experimento funcionou e se vale a pena investir em uma implementação maior.
A qualidade dos dados influencia diretamente o resultado de uma solução de IA: informações incompletas, desatualizadas, duplicadas ou mal organizadas podem comprometer o desempenho mesmo quando a tecnologia utilizada é adequada.
Durante um piloto, a equipe pode conseguir selecionar manualmente um conjunto pequeno de dados e corrigir problemas conforme eles aparecem. Na escala, esse trabalho deixa de ser sustentável.
Por isso, avaliar previamente a origem, a qualidade e a estrutura das informações é fundamental.
Uma ferramenta pode funcionar perfeitamente em uma demonstração e ainda assim ser pouco útil para quem precisa utilizá-la todos os dias. Se o funcionário precisa copiar informações de um sistema para outro, revisar manualmente cada resultado ou interromper várias etapas do processo para usar a IA, o ganho de produtividade pode desaparecer. A tecnologia precisa estar integrada ao fluxo de trabalho, com funções e responsabilidades bem definidas.
Projetos de IA também podem fracassar quando são desenvolvidos apenas pela área técnica. Os profissionais que lidam diariamente com o problema conhecem obstáculos que nem sempre aparecem nos dados ou nos testes.
A participação dos usuários ajuda a identificar respostas inadequadas, etapas desnecessárias e situações que exigem intervenção humana. Treinamento também entra nessa conta: uma solução bem construída pode ter baixa adesão se as pessoas não souberem como incorporá-la à rotina.
Um piloto precisa produzir evidências que permitam decidir os próximos passos e medir apenas se a IA “funcionou” é insuficiente.
A empresa pode acompanhar indicadores como tempo economizado, custo por tarefa, número de erros, volume processado ou receita gerada, dependendo do objetivo inicial que foi estabelecido.
Com métricas definidas antes do teste, fica mais fácil comparar o desempenho da solução com o processo anterior e calcular se a expansão faz sentido.
Passar por um teste bem-sucedido é apenas uma etapa. Antes de ampliar o uso, a empresa precisa verificar se os dados suportam um volume maior, se a solução está integrada aos processos e se os resultados justificam o investimento.
Um piloto serve justamente para encontrar essas limitações antes que elas se tornem problemas caros. Quando o experimento é tratado como uma etapa de aprendizado, e não apenas como uma demonstração da tecnologia, fica mais fácil decidir o que precisa ser corrigido antes da escala.