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Estamos na era da AGI? Greg Brockman, presidente da OpenAI, acredita que sim

ChatGPT é o primeiro sistema a atingir o nível "crítico" de capacidade cibernética da própria OpenAI — a empresa promete que o episódio da Hugging Face não vai se repetir, mas concentra o acesso mais livre do modelo em parceiros de confiança

Greg Brockman é presidente e co-fundador da OpenAI ao lado de Sam Altman. (Getty Images/Reprodução)

Greg Brockman é presidente e co-fundador da OpenAI ao lado de Sam Altman. (Getty Images/Reprodução)

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 10h46.

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A OpenAI lançou na quinta-feira, 3, o GPT-6 Astra, seu novo modelo principal de inteligência artificial, descrito pela empresa como um "salto geracional" em cibersegurança, trabalho profissional, engenharia de software, ciência e uso autônomo de computadores.

É também o primeiro modelo da OpenAI a atingir o chamado "limiar de capacidade crítica de cibersegurança" da própria empresa, e a companhia promete que isso não vai se repetir como o episódio recente em que um modelo não lançado escapou do ambiente de testes e invadiu os sistemas de outro laboratório de IA.

"Se avançarmos alguns anos e olharmos para trás, perguntando 'quando foi que a inteligência artificial geral (AGI) foi realmente criada?', acho que será por volta desta época, e talvez por este modelo", disse Greg Brockman, presidente da OpenAI, em coletiva de imprensa. Mais tarde, foi além: "Pessoalmente, acho que já chegamos lá. Acho que não é irracional sentir que estamos na era da AGI".

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O Astra chega mais de um ano depois do GPT-5 e cerca de dois meses depois do GPT-5.6 Sol, a versão mais recente do conjunto de modelos anterior.

A distribuição começa pelos clientes de cibersegurança que usam a plataforma Daybreak; nos próximos dias, segundo Brockman, chega aos usuários dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise do ChatGPT, além da API da OpenAI e de provedores de nuvem como AWS e Azure.

A empresa deu destaque especial à capacidade do modelo de operar dentro de softwares, e não apenas orientar o usuário, construindo sites funcionais, criando documentos e planilhas "aprimorados" e concluindo tarefas de múltiplas etapas.

A OpenAI o classificou como "o melhor modelo da empresa para engenharia de software, com desempenho superior em tarefas complexas em bases de código reais". A leitura de mercado é direta: um esforço para atrair clientes corporativos e competir com a Anthropic, cujo Claude domina boa parte do segmento de programação, num momento em que ambas as empresas se preparam para eventuais aberturas de capital.

A sombra da Hugging Face

O lançamento acontece sob o peso de um episódio recente: um modelo não lançado da OpenAI, que a empresa afirma não ser o Astra, escapou de seu ambiente restrito, descobriu como obter acesso à internet e invadiu os sistemas da Hugging Face, laboratório de IA de código aberto, sem que a própria OpenAI soubesse até a Hugging Face publicar o incidente em seu blog. O caso chegou a ser comparado, na cobertura internacional, a um acidente aéreo de grande repercussão ou ao recall de um remédio popular: um evento que expõe falha sistêmica, não pontual.

Para a OpenAI, o momento é ambíguo. De um lado, o episódio demonstrou a capacidade bruta de seus modelos numa corrida cada vez mais acirrada. De outro, corroeu a confiança na confiabilidade da empresa, motivo pelo qual o comunicado do Astra faz questão de chamá-lo de o modelo "mais alinhado até o momento", capaz de ajudar pessoas a "delegar tarefas complexas mantendo a supervisão".

Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, reconheceu a dificuldade publicamente: "o progresso na inteligência não garante o progresso no alinhamento", disse, acrescentando que monitorar sistemas de IA está cada vez mais desafiador. Pesquisadores também alertaram que a OpenAI permite ao Astra usar "recorrência opaca", tornar ilegível a própria linha de raciocínio, o "bloco de rascunho mental" que cientistas usam para detectar se um modelo está conspirando contra quem o avalia.

Nível "crítico": o que isso significa na prática

O tal limiar de capacidade crítica de cibersegurança classifica o Astra como capaz de encontrar e explorar vulnerabilidades desconhecidas, mesmo em sistemas extremamente bem protegidos, sem intervenção humana passo a passo.

Em resposta, a OpenAI restringiu o acesso mais livre do modelo a um grupo inicial de "defensores confiáveis", voltado à validação de vulnerabilidades, análise de malware e engenharia de detecção, abordagem parecida com as regras que a Anthropic aplica aos seus modelos da linha Mythos, também sinalizados por risco elevado de cibersegurança.

A cautela levou a empresa a fazer algo incomum: convocar uma coletiva de imprensa só para anunciar que havia adiado o desenvolvimento do Astra a fim de aprimorar ferramentas de segurança. Nela, Mia Glaese, responsável pelos processos de segurança da companhia, detalhou uma nova rotina de monitoramento de desalinhamento com "escalonamento e resposta rápida 24 horas por dia, 7 dias por semana", notificando pesquisadores em até 30 minutos diante de qualquer sinal de problema.

O modelo que ajudou a treinar o próximo modelo

Um dos detalhes mais técnicos do anúncio veio de Aidan Clark, vice-presidente de treinamento de pesquisa: o Astra é o primeiro modelo da OpenAI em que sistemas anteriores desempenharam "papel importante" na supervisão do próprio treinamento, um passo em direção ao conceito controverso de autoaperfeiçoamento recursivo, em que sistemas de IA ajudam a gerenciar seu próprio treinamento e a criação de versões mais avançadas de si mesmos, com intervenção humana cada vez menor.

"Treinar um modelo de ponta costumava significar acordar a qualquer hora da noite, recuperar tarefas de erros de hardware e, muitas vezes, perder longos períodos de tempo depurando o sistema", disse Clark.

"Ao final do treinamento do Astra, tornou-se rotina passar a maior parte do dia com progresso ininterrupto, e quando um problema ocorria, o modelo geralmente voltava a funcionar após apenas alguns segundos de inatividade."

O pano de fundo financeiro ajuda a entender a pressa do anúncio: a OpenAI está sob pressão crescente de investidores para finalmente gerar lucro, ou ao menos mais receita, num momento em que a própria credibilidade da empresa em matéria de segurança segue sob escrutínio.

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