Demanda por soluções de armazenamento para IA trouxe altas históricas para a SanDisk (Wikimedia Commons)
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Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 13h50.
Conhecida há muitos anos pela fabricação de cartões de memória para dispositivos eletrônicos como câmeras e celulares e também por pendrives, a SanDisk encontrou na corrida global pela infraestrutura de inteligência artificial uma nova chance de crescimento.
A demanda por chips de IA é o que guia essa transformação, segundo um artigo da Sherwood. Com o avanço dos modelos, aumenta-se a quantidade de dados utilizados, e consequentemente, a procura por soluções de armazenamento, imprescindíveis para o avanço desses sistemas.
Esse ciclo reposicionou a SanDisk no centro de Wall Street: de setembro de 2025 até a semana passada, as ações da empresa acumularam alta histórica de 976%, desempenho que a colocou no topo do S&P 500 e adicionou mais de US$ 50 bilhões em valor de mercado e surpreendeu analistas, executivos e investidores.
A alta dos preços dos chips de memória beneficiou empresas que, até então, eram consideradas "adormecidas" no setor tecnológico, como a SanDisk. A estabilidade na produção, com estoques limitados e pouca expansão recente, limitou a resposta imediata ao boom da demanda de IA.
Diante da oferta restrita, fabricantes tiveram a chance de aumentar preços sem elevar os custos operacionais, ou seja: a maioria do lucro foi convertida diretamente em receita.
Desde meados de agosto, os preços à vista da memória flash NAND tiveram aumentos sucessivos que chegaram a mais de 300%, enquanto os custos da DRAM avançaram cerca de 280% em relação ao terceiro trimestre, segundo dados de mercado.
O movimento também se refletiu nas ações: em setembro, a Micron avançou mais de 40%, a sul-coreana Nanya subiu 46% e a Kioxia teve alta superior a 85%. A SanDisk, por sua vez, foi o maior destaque, com valorização de 113% no mês e de 570% no ano.
Para analistas, um dos fatores que ajudou a impulsionar a valorização da SanDisk é o crescimento da fabricação de SSDs voltadas a data centers e provedores de nuvem, hoje entre os maiores consumidores de infraestrutura para IA.
Outro diferencial é a parceria de cerca de 20 anos com a fabricante japonesa de chips Kioxia, considerada uma das apostas mais relevantes do Japão no avanço do setor. O acordo garante à SanDisk acesso a chips NAND a custos menores do que os de concorrente e cria uma vantagem competitiva no mercado.
Analistas projetam que a oferta de memória seguirá limitada ao longo de 2026. Com isso, esperam crescimento expressivo de receitas e lucros da SanDisk nos próximos trimestres, em um setor que continua sendo reposicionado como peça central da economia da inteligência artificial.
A virada da SanDisk evidenciou como o boom da IA segue imprevisível. A incapacidade do mercado de antecipar a dimensão da demanda por memória gerou investimentos para além dos principais fabricantes de chips, como a Nvidia, alcançando os chamados "hiperescaladores" — como a Microsoft, Meta e Amazon — e, mais recentemente, setores menos óbvios da cadeia, como a infraestrutura.
Parte desse otimismo já reflete nas cotações, o que faz do próximo relatório de resultados da SanDisk, previsto para o dia 29 de janeiro, um ponto de atenção para investidores e executivos. Analistas estimam alta de 170% no lucro ajustado por ação em relação ao ano anterior, além de um salto de 40% nas vendas.
A projeção geral é que o setor de IA não deve conseguir resolver a escassez de memória ainda em 2026. Com isso, a SanDisk é apontada como uma das principais apostas pela Bernstein Research, que prevê uma forte demanda de chips por pelo menos mais seis trimestres e um lucro por ação mais de 40% acima do consenso do mercado.