Anthropic: companhia lança Claude Mythos Preview de forma exclusiva para empresas de tecnologia com serviços online em risco de vulnerabilidade (Getty Images)
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Publicado em 8 de abril de 2026 às 10h25.
A Anthropic revelou o lançamento do Claude Mythos Preview, seu novo modelo de linguagem, para um grupo seleto de empresas de tecnologia. E a exclusividade da inteligência artificial tem um motivo bem claro: segurança. Prometendo infraestrutura capaz de assegurar a identificação de vulnerabilidades para empresas com frequente risco de invasões, a companhia revelou a iniciativa Project Glasswing como um novo mecanismo de defesa avançado.
Entre as 40 empresas de tecnologia selecionadas para o projeto estão Google, Amazon, Apple, Cisco — que recentemente sofreu um ciberataque —, Microsoft e outras. "Nenhuma organização sozinha consegue resolver esses problemas de cibersegurança: desenvolvedores de IA de ponta, outras empresas de software, pesquisadores de segurança, mantenedores de código aberto e governos do mundo todo têm papéis essenciais a desempenhar", informou a Anthropic em nota oficial.
O receio da empresa chefiada por Dario Amodei em deixar a nova IA disponível a consumidores comuns não é em vão. Conforme a empresa, o Claude Mythos Preview já foi responsável por identificar "milhares de vulnerabilidades de alta gravidade" nos aplicativos e sites mais populares da internet. Permitir que indivíduos tenham acesso livre a tais problemas significaria que os ciberataques poderiam ser conduzidos até por pessoas inexperientes; bastaria ter um pouco de curiosidade para tal.
Em nota, a Anthropic confirmou que a infraestrutura de IA será mantida com até US$ 100 milhões em créditos de uso garantidos pela companhia. Adicionalmente, US$ 4 milhões serão direcionados para instituições de segurança em código aberto utilizarem o serviço, que possibilita o monitoramento tanto de sistemas internos como aqueles de código aberto.
A gravidade das ocorrências ligadas a ataques eletrônicos virtuais faz com que essa não seja a primeira vez que rivais de mercado se unam buscando proteção compartilhada. Diversas Big Techs assinaram um acordo intitulado Online Services Accord Against Scams para garantir um espaço de conversa ágil entre empresas de tecnologia, governos, polícias e organizações da sociedade civil.
Com o advento da superinteligência controlada por robôs, a necessidade de manter sob controle as consequências geradas por ela se torna cada vez mais importante. "O que antes era domínio de grandes países, grandes forças armadas, grandes empresas e grandes organizações criminosas com grandes orçamentos — essa capacidade de desenvolver operações sofisticadas de ciberataque — pode se tornar facilmente acessível a pequenos atores", opinou Craig Mundle, ex-diretor de pesquisa e estratégia para a Microsoft, em entrevista ao The New York Times.
Plataformas como Drift Protocol e Axios também relatam que grupos hackers começaram a investir em relações cara a cara para conseguir abertura para realizar invasões em sistemas online. Isso diversifica as formas de atuação contra ataques maliciosos e pede que as empresas estejam com as proteções sempre em dia, uma vez que as inovações para encontrar falhas no sistema não são mais tão visíveis e podem vir até de uma ligação profissional via Zoom.