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O presidente da China, Xi Jinping: líder propõe a criação de uma comunidade de inteligência artificial de código aberto no Brics. (Kevin Frayer/Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 14 de setembro de 2026 às 13h54.
Última atualização em 14 de setembro de 2026 às 13h55.
Resumo: O presidente da China, Xi Jinping, afirmou que o país pretende assumir a liderança na cooperação em inteligência artificial entre países em desenvolvimento. Durante a cúpula do Brics, em Nova Déli, ele propôs uma comunidade de IA de código aberto, projetos conjuntos para desenvolver e aplicar grandes modelos de linguagem e uma plataforma digital para aproximar os integrantes do bloco.
A China vai liderar os esforços para ampliar a cooperação e o desenvolvimento de inteligência artificial entre países em desenvolvimento, afirmou Xi Jinping durante a cúpula do Brics, realizada em Nova Déli.
Em declaração divulgada no domingo pelo Ministério das Relações Exteriores chinês, Xi afirmou que o país pretende tomar a dianteira na criação de uma comunidade de IA de código aberto do Brics. A proposta prevê apoio à cooperação no desenvolvimento e na aplicação de grandes modelos de linguagem, além da realização de seminários e cursos de treinamento.
A iniciativa também prevê a construção de um ecossistema aberto de IA, com o objetivo de ampliar a participação dos países do bloco no desenvolvimento da tecnologia. Entre as propostas está ainda a criação de uma plataforma de nuvem para o ecossistema digital do Brics, acompanhada de programas de capacitação, intercâmbio tecnológico e integração industrial.
Xi também propôs a criação de uma aliança para formação de engenheiros do Brics e de um programa de intercâmbio para jovens voltado à inovação científica e tecnológica. As medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla para aproximar os países do bloco em torno de infraestrutura, conhecimento e desenvolvimento tecnológico.
A proposta chinesa surge enquanto a indústria de IA acelera o lançamento de modelos cada vez mais poderosos. O avanço ocorre paralelamente ao aumento das discussões sobre os riscos associados à tecnologia, incluindo dentro das próprias empresas que desenvolvem esses sistemas.
Um pesquisador que trabalhou na OpenAI e na Anthropic afirmou nesta semana que muitos profissionais do setor acreditam que a inteligência artificial poderia representar um risco extremo para a humanidade ainda nesta década. Xi, porém, não abordou em sua declaração o debate sobre segurança da IA.
Criado em 2009 como uma articulação de países que buscava contrabalançar a influência das economias ocidentais, o Brics originalmente reunia Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
O grupo posteriormente incorporou Egito, Etiópia, Indonésia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A expansão aumentou o peso do bloco nas discussões sobre comércio, infraestrutura e tecnologia entre países emergentes e em desenvolvimento.
Ao propor estruturas conjuntas para inteligência artificial, Pequim coloca a tecnologia no centro dessa agenda e busca ampliar a cooperação do Brics em áreas que vão do desenvolvimento de modelos de linguagem à formação de profissionais e à infraestrutura digital.A estratégia também oferece aos países integrantes uma alternativa de cooperação tecnológica fora dos principais polos ocidentais de desenvolvimento de IA. A proposta de código aberto, em particular, pode facilitar o compartilhamento de modelos, ferramentas e conhecimento entre países com diferentes níveis de capacidade tecnológica.