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A clonagem de voz é uma das formas de uso da IA em fraudes digitais (Imagem gerada por IA)
Redatora
Publicado em 19 de setembro de 2026 às 07h00.
Uma ligação de alguém conhecido, um anúncio com a imagem de uma autoridade ou uma mensagem que parece ter sido enviada por uma empresa podem carregar um problema que não existia da mesma forma poucos anos atrás: a possibilidade de fabricar sinais digitais convincentes de identidade.
No Brasil, a inteligência artificial já aparece entre as ferramentas usadas para sofisticar fraudes, enquanto tentativas de manipulação da identidade digital seguem em alta.
A Serasa Experian identificou quase 1,5 milhão de tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade no primeiro trimestre de 2026, uma ocorrência a cada cinco segundos.
O levantamento também aponta o uso indevido de IA, identidades sintéticas e fraude como serviço entre as tendências observadas.
Um dos caminhos é a clonagem de voz. Com amostras de áudio, ferramentas de inteligência artificial conseguem produzir falas que imitam características da voz de uma pessoa. O material pode então ser usado para tornar mais convincente um contato fraudulento.
A Febraban cita, por exemplo, a possibilidade de criminosos utilizarem voz clonada em golpes por WhatsApp, fazendo a abordagem parecer uma conversa com alguém conhecido.
A entidade também alerta para outro risco: o uso de vozes artificiais em tentativas de contornar sistemas de autenticação por reconhecimento de voz.
Isso muda uma premissa importante dos golpes baseados em confiança. Ouvir a voz de um familiar, colega ou conhecido já não é, sozinho, uma confirmação suficiente de quem está do outro lado.
A IA também pode ser usada para produzir imagens, vídeos e outros conteúdos falsos.
Em agosto de 2026, o Ministério da Fazenda informou que um levantamento do NetLab/UFRJ encontrou 544 anúncios fraudulentos relacionados a renegociação de dívidas nas plataformas da Meta.
Do total, 38% haviam sido produzidos com uso de IA, enquanto 72% usavam indevidamente o nome ou a imagem do governo e de marcas conhecidas para aparentar legitimidade.
A combinação de diferentes elementos aumenta a dificuldade de identificar uma fraude. Um criminoso pode utilizar uma identidade falsa, uma imagem manipulada e uma mensagem construída para provocar urgência na mesma abordagem.
A evolução dos golpes também altera a forma de verificar uma identidade. Bancos e empresas passaram a olhar para diferentes etapas da jornada digital, em vez de depender de um único sinal.
A própria Febraban destaca a necessidade de reforçar mecanismos de identificação diante de ataques que envolvem deepfakes e manipulação de dados.
Em 2026, a entidade também firmou uma cooperação com o Ministério da Gestão e da Inovação e associações do setor para ampliar o uso da Carteira de Identidade Nacional em processos de identificação digital.