Manus: aquisição da startup pela Meta é proibida pela China (Getty Images)
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Publicado em 27 de abril de 2026 às 09h55.
A China proibiu a Meta de comprar a startup de inteligência artificial Manus. A decisão de impedir a aquisição vem após reguladores chineses investigarem a existência de violações das regras de investimento de Pequim. A transação definida em US$ 2 bilhões faria as operações da empresa sediada em Singapura serem transferidas para o núcleo interno da Meta.
A decisão foi assinada pela National Development and Reform Comission (NDRC), que investiga desde janeiro o investimento do grupo do Facebook na Manus. O órgão de planejamento econômico do país classificou que a compra viola as regras locais de investimento estrangeiro e exigiu que as empresas desfaçam o acordo. Para atender ao pedido, a Meta precisaria vender a Manus e retirar as ferramentas já implementadas em produtos da companhia.
Uma fonte envolvida na investigação e ouvida pelo Financial Times acredita que a ideia de desfazer por completo o contrato não é tão simples no estágio em que o processo se encontra. Para ela, "trata-se mais de advertências verbais sobre acordos semelhantes e da construção de pressão antes da cúpula Xi-Trump". O resultado da investigação veio à tona um mês antes de uma reunião de cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping. Os dois líderes devem se encontrar para tentar aliviar os embates comerciais ampliados pela nova era da tecnologia.
É o segundo caso em que Pequim intervém em uma transação internacional de peso. A capital chinesa já pressionou que grupo chinês fosse incluído na compra de 43 portos globais pelo conglomerado de Hong Kong CK Hutchison; desta vez, porém, ainda é cedo para afirmar se a NDRC verá um sucesso similar.
Na semana passada, a NDRC já havia imposto que empresas de tecnologia do país só poderiam aceitar investimentos dos Estados Unidos se explicitamente permitidas por órgãos chineses. Fontes ouvidas pela Bloomberg disseram que a regulamentação de ação imediata já havia afetado processos em andamento por empresas como Moonshot AI, StepFun e ByteDance. A estratégia freia as intenções anteriores de Pequim de incentivar companhias locais a buscar destaque no exterior; a intenção era tratar a expertise estrangeira como um dos ingredientes essenciais para alcançar o marco de potência global em IA.
O movimento, combinado com a restrição das chamadas "red chips" — empresas chinesas registradas no exterior — de realizar IPOs em Hong Kong, força companhias a procurarem alternativas que se equiparem ao investimento de um país líder no mercado de tecnologia. A StepFun, por exemplo, começou a trajetória para encerrar suas atividades no exterior e repatriar capital para se adequar às novas normas chinesas.