Inteligência Artificial

Consumo de energia para IA vira problema para as maiores empresas do setor

Crescimento exponencial limita recursos de empresas, que buscam alternativas para manutenção dos principais produtos

Data centers de IA: a expansão acelerada de modelos de linguagem exige infraestrutura massiva e gera desafios inéditos de consumo elétrico global

Data centers de IA: a expansão acelerada de modelos de linguagem exige infraestrutura massiva e gera desafios inéditos de consumo elétrico global

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 17 de abril de 2026 às 13h11.

Última atualização em 17 de abril de 2026 às 14h12.

A narrativa dominante do setor de tecnologia nos últimos anos foi a da abundância: mais modelos, mais parâmetros, mais capacidade, mais promessas. Mas abril de 2026 trouxe um sinal de alerta que as maiores empresas não conseguem ignorar: a infraestrutura que sustenta a inteligência artificial está chegando ao seu limite devido à eletricidade.

Conforme uma reportagem do The Wall Street Journal, grandes empresas de IA passaram a racionar ou limitar o acesso aos sistemas que desenvolvem ao passo em que a infraestrutura se torna cada vez mais escassa. Produtos amplamente divulgados por sua escala ilimitada de uso agora são um recurso finito que enfrenta filas e redução de disponibilidade. Tomando a Nvidia como exemplo, a empresa subiu o preço de aluguel das GPUS Blackwell de US$ 2,75 para US$ 4,08 por hora.

A CoreWeave, que recentemente fechou um acordo de US$ 21 bilhões com a Meta, aumentou os preços de infraestrutura de IA em 20% para clientes. "Estamos fazendo algumas negociações muito difíceis no momento em relação a coisas que não estamos buscando porque não temos poder computacional suficiente", comentou Sarah Friar, CFO da OpenAI, em entrevista a Tomas Tunguz.

GPUs viram ouro

Mesmo com Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft projetando gastos superiores a 650 bilhões de dólares em 2026 para expandir a capacidade de IA, quase metade das construções planejadas de data centers nos Estados Unidos deve ser atrasada ou cancelada. Com ausêncian de transformadores e infraestrutura de rede, grandes marcas estão redirecionando seus esforços para focar em aprimorar instalações já existentes ou buscar terras distantes com acesso mais fácil a eletricidade.

Uma análise feita pela Sightline Climates prevê que quase 50% de todos os projetos globais de data centers com previsão de conclusão neste ano enfrentam atrasos diretamente ligados a restrições no fornecimento de energia e escassez na rede elétrica. Simultaneamente, a consultoria Morgan Stanley projeta um déficit de 49 gigawatts apenas nos Estados Unidos até 2028; as alterações já afetam o consumidor final dos principais produtos do mercado em efeito cascata.

A Anthropic, dona do Claude, começou a racionar o acesso à computação durante os horários de pico nos dias de semana. Isso gerou críticas nas redes sociais e um movimento global de migração para rivais como ChatGPT e Gemini. Ainda que a OpenAI aproveite o momento de limitação da Anthropic para reforçar a manutenção da acessibilidade de seus produtos, a empresa recentemente encerrou o app de vídeos curtos Sora em busca de fornecer mais tecnologia computacional a aplicações prioritárias.

Big Techs estão dispostas a manter o frenesi

A falta de recursos não parece ser o suficiente para fazer Big Techs recuarem de forma responsável. A rotina corporativa da Meta é uma das que apenas intensificou o uso de IA: ao longo do último mês, mais de 60 trilhões de tokens, as unidades de texto processadas por sistemas de IA, foram gerados para motivar funcionários em competições internas. A Amazon e a Microsoft já investiram mais de R$ 471 bilhões em instalações em Aragão, no norte da Espanha, para suprir a demanda por tecnologia; o motivo para tal seria a redução de 30% no custo da eletricidade em comparação com cidades mais populosas da Europa.

Uma das razões para o aumento incontrolável é a popularidade de IAs multifuncionais. Empresas substituiram o uso de chatbots simples por sistemas capazes de fazer tudo em uma única interface, delegando mais da metade do trabalho diário para robôs. J.J. Kardwell, executivo-chefe da empresa de nuvem Vultr, disse ao The Wall Street Journal que "a energia disponível até 2026 já está toda comprometida". A saída para a manutenção da tecnologia está na aceleração de alternativas, como a busca de Elon Musk por satélites alimentados por energia solar como recurso adicional para o setor.

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