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China alerta para risco de segurança no Claude Code, da Anthropic

Órgão do governo chinês diz que versões da ferramenta de programação têm uma "porta dos fundos" capaz de enviar dados do usuário a servidores remotos sem consentimento

Claude: China vem avançando em críticas sobre IA da Anthropic (Imagem gerada por IA/Exame)

Claude: China vem avançando em críticas sobre IA da Anthropic (Imagem gerada por IA/Exame)

Publicado em 8 de julho de 2026 às 09h31.

Um órgão regulador do governo chinês emitiu um alerta de segurança contra o Claude Code, a ferramenta de programação da Anthropic, criadora do Claude.

Segundo o Banco Nacional de Dados de Vulnerabilidades da China (NVDB, na sigla em inglês), plataforma ligada ao Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação do país, algumas versões do programa contêm uma "porta dos fundos" (backdoor, na tradução literal para o inglês) capaz de transmitir informações sensíveis a servidores remotos sem o consentimento do usuário.

O comunicado foi publicado nesta quarta-feira, 8, segundo a Reuters.

De acordo com o NVDB, o mecanismo embutido na ferramenta pode enviar dados como a localização geográfica e identificadores de identidade do usuário.

O órgão afirmou que as versões afetadas vão da 2.1.91 à 2.1.196, e recomendou que organizações e usuários na China revisem os sistemas de imediato, desinstalem as versões comprometidas ou atualizem para a mais recente, na qual o código apontado foi removido.

O que o Claude Code faz?

O Claude Code é um agente de inteligência artificial (IA) que escreve, corrige e revisa código de forma autônoma, a partir de instruções do usuário.

Para funcionar, precisa de acesso profundo ao sistema de arquivos do computador — o que, segundo especialistas em segurança, faz de qualquer funcionalidade oculta na ferramenta um risco potencial de acesso a tudo o que está na máquina.

A Anthropic bloqueia oficialmente o uso de seus produtos por usuários e empresas na China e em outros países que considera adversários.

Ainda assim, é possível acessar a ferramenta no país por meio de redes virtuais privadas (VPNs) ou serviços de proxy de terceiros — o caminho que desenvolvedores chineses usam para contornar a restrição.

A explicação da Anthropic

A empresa americana atribuiu o código a uma medida contra abusos.

Depois que a descoberta veio à tona em um fórum на internet, Thariq Shihipar, engenheiro da equipe do Claude Code, afirmou na rede social X (antigo Twitter) que o mecanismo era "um experimento lançado em março", destinado a impedir o abuso de contas por revendedores não autorizados e a proteger contra a chamada destilação — técnica em que as respostas de um modelo mais potente são usadas para treinar um modelo menor e mais barato.

Segundo o engenheiro, a equipe já havia adotado proteções mais fortes desde então e pretendia remover o código, o que foi feito em 1º de julho, um dia após a repercussão.

A Anthropic tem se posicionado publicamente contra a destilação, prática que, segundo a empresa, ameaça o modelo de negócio das companhias de IA de fronteira.

Uma disputa que vinha escalando

O alerta é o capítulo mais recente de um atrito entre a Anthropic e o setor de tecnologia chinês.

Dias antes, a gigante Alibaba havia proibido seus funcionários de usar o Claude Code a partir de 10 de julho, classificando a ferramenta como software de alto risco e orientando a migração para o Qoder, seu próprio agente de programação.

O banimento, por sua vez, veio semanas depois da Anthropic acusar a Alibaba, em carta ao Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos, de conduzir "o maior ataque de destilação conhecido" contra o Claude — acusação que a empresa chinesa negou.

O episódio se soma à crescente tendência das companhias chinesas de reduzir a dependência de ferramentas de IA americanas e migrar para alternativas domésticas, como os modelos da própria Alibaba, da DeepSeek e da Zhipu.

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