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Crianças usam inteligência artificial em ritmo três vezes maior que adultos, aponta Unicef (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 8 de julho de 2026 às 10h46.
Crianças e adolescentes estão adotando ferramentas de inteligência artificial (IA) em ritmo mais acelerado do que os adultos. É o que mostra um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado às vésperas do primeiro Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial.
O estudo foi conduzido em dez países: Armênia, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Jordânia, México, Montenegro, Macedônia do Norte, Paquistão e Sérvia. Com cerca de mil crianças de 12 a 17 anos e mil pais ou responsáveis entrevistados em cada localidade, em parceria com o Instituto Ipsos. O levantamento estima que cerca de 20 milhões de crianças, nesses dez países, já utilizaram ferramentas de IA, em ritmo mais de três vezes superior ao dos adultos.
Cerca de 13 milhões de crianças recorrem à IA como apoio para os estudos e a realização de tarefas escolares. Outro grupo, de mais de 2 milhões de crianças, afirmou buscar conselhos na tecnologia sobre questões pessoais que as preocupam. Para a Unicef, isso mostra que a IA já ocupa um espaço relevante na rotina infantil, para além do entretenimento.
Um terço das crianças entrevistadas relatou temer que a inteligência artificial seja usada para aplicar golpes, enganar pessoas ou espalhar desinformação.
Um quarto das crianças afirmou temer que suas imagens ou vídeos sejam manipulados para a criação de deepfakes com conteúdo sexualmente explícito. A Unicef aponta que a maioria dos sistemas de IA ainda chega ao público infantil sem mecanismos adequados de proteção, e que ainda faltam evidências científicas consolidadas sobre os efeitos de longo prazo no desenvolvimento cognitivo e na dependência emocional das crianças.
Diante da falta de regulamentação específica, a atuação de pais, educadores e profissionais se torna decisiva. A Unicef defende que as ferramentas de IA sejam projetadas desde o início com transparência e segurança, além do fortalecimento de leis e mecanismos de responsabilização corporativa - um debate que também avança no Brasil, com o Marco Legal da Inteligência Artificial em tramitação no Congresso.
Isso significa que entender como essas ferramentas funcionam — seus limites, riscos e possibilidades — deixou de ser um conhecimento técnico restrito a especialistas e passou a ser parte da alfabetização digital exigida de qualquer adulto, dentro e fora de casa.
Diante desse cenário, algumas medidas práticas ajudam a reduzir riscos sem abrir mão dos benefícios da tecnologia:
A Unicef reforça que o momento é decisivo: as escolhas feitas hoje em relação à governança da inteligência artificial vão determinar, nas próximas décadas, a segurança e o bem-estar de uma geração inteira.