KhanAcademy: JavaScript, HTML e CSS (racheocity / Flickr)
Redatora
Publicado em 28 de julho de 2026 às 11h22.
Cursos online multiplicaram o acesso ao conhecimento, mas deixaram uma pergunta ainda sem resposta simples: assistir às aulas é suficiente para melhorar o desempenho?
Um estudo conduzido durante três anos com professores da educação infantil nos Estados Unidos indica que a formação virtual pode aumentar o engajamento e a permanência dos profissionais. Os efeitos sobre a aprendizagem dos alunos, porém, variaram conforme a avaliação utilizada.
A conclusão interessa também a quem está na universidade. Em um cenário de cursos livres, certificações e conteúdos disponíveis a qualquer hora, acumular conhecimento não garante transformação.
O resultado aparece quando o estudante assume responsabilidade pelo próprio desenvolvimento, aplica o que aprendeu e mobiliza recursos para resolver problemas reais. As informações foram retiradas do EdWeek Market Brief.
SEJA O UNIVERSITÁRIO QUE FARÁ A DIFERENÇA: o Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário terá cinco vencedores (um de cada região do Brasil). A inscrição é gratuita, aproveite!
A pesquisa foi conduzida pelo National Institute for Early Education Research, ligado à Universidade Rutgers, e acompanhou 125 salas de pré-escola em Nova Jersey. Os professores já tinham acesso a um ecossistema digital de currículo e capacitação. Parte deles recebeu ainda sessões virtuais síncronas e apoio adicional para colocar o conteúdo em prática.
Entre os profissionais que tiveram esse suporte extra, a retenção aumentou cerca de 23 pontos percentuais. Eles também dedicaram, em média, cinco horas adicionais a outras atividades assíncronas de desenvolvimento e registraram 94 horas a mais de interação com a plataforma durante o estudo.
Os alunos dessas turmas apresentaram avanços estatisticamente significativos em linguagem e matemática na avaliação formativa alinhada ao currículo da plataforma. Os resultados foram mais fortes nas salas em que os professores permaneceram ao longo do período analisado.
A pesquisa, no entanto, não autoriza uma conclusão definitiva de que o treinamento virtual, sozinho, elevou o desempenho acadêmico.
Quando os pesquisadores analisaram avaliações externas, como o teste Woodcock-Johnson, o crescimento foi semelhante entre alunos de professores que receberam o apoio adicional e os demais participantes. O relatório técnico não encontrou efeito direto da intervenção sobre os resultados infantis medidos externamente.
Também houve resultados nulos ou negativos em indicadores de qualidade da sala de aula e fidelidade à aplicação do currículo. Professores dos dois grupos melhoraram nesses pontos, mas, em algumas medidas, o avanço foi maior entre aqueles que não receberam as sessões adicionais.
A diferença entre as avaliações ajuda a explicar por que é difícil medir o retorno de um programa educacional. Um teste produzido pela empresa responsável pelo currículo consegue acompanhar competências específicas ensinadas naquele sistema.
Para estudantes universitários, a leitura é direta: certificado, carga horária e acesso a conteúdo são apenas parte do processo. O valor da formação depende do que se consegue fazer com ela.
O protagonismo acadêmico não está no volume de cursos adicionados ao currículo. Está na capacidade de transformar repertório em ação.
Um estudante pode concluir uma formação sobre liderança e permanecer evitando responsabilidades coletivas. Outro pode aplicar o mesmo conteúdo para reorganizar uma entidade estudantil, orientar colegas ou conduzir um projeto de extensão.
Embora os dois tenham assistido às aulas, somente um produziu uma experiência capaz de demonstrar iniciativa, execução e impacto.
A OCDE define a agência do estudante como a capacidade de estabelecer objetivos, refletir e agir de maneira responsável para promover mudanças. Seu projeto sobre o futuro da educação afirma que a aprendizagem exige atividade e iniciativa por parte de quem aprende — não apenas a transmissão de conteúdo por uma instituição.
Isso não reduz o papel das universidades, dos professores ou dos mentores. O estudo norte-americano mostra justamente que estrutura e apoio podem influenciar o envolvimento dos participantes. Mas nenhum ambiente de aprendizagem substitui a decisão individual de usar os recursos disponíveis.
BTG PACTUAL, GRUPO BOTICÁRIO E SUZANO: essas marcas querem dar protagonismo para VOCÊ. Seja o nome que o país inteiro vai conhecer ao ser um dos ganhadores do Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário
O estudante que aplica o conhecimento também desenvolve competências que dificilmente aparecem em uma prova. É preciso negociar com pessoas, corrigir erros, lidar com restrições e sustentar decisões diante de dificuldades.
Nesse processo, uma ideia abstrata ganha prazo, equipe e resultado. Um curso sobre gestão pode ajudar a estruturar um projeto social. Uma disciplina de programação pode dar origem a uma solução para a comunidade. Uma pesquisa pode sair do laboratório e contribuir para enfrentar um problema público.
O modelo educacional da OCDE relaciona a agência estudantil a três competências transformadoras: criar valor, conciliar tensões e assumir responsabilidade. Essas capacidades aparecem quando o jovem deixa de ser apenas receptor do conteúdo e participa da construção das soluções.
O Na Prática nasceu como uma plataforma educacional criada para impulsionar a carreira de jovens, do estágio à liderança, complementando o ensino universitário com uma formação voltada para o mercado de trabalho.
Pensando nesse propósito, a instituição criou o Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário. Com cinco ganhadores, um de cada estado, ele é o primeiro reconhecimento nacional com recorte regional focado exclusivamente em estudantes de alto desempenho prático e acadêmico.