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Antes do ChatGPT, um programa dos anos 1960 já simulava conversas humanas

Criado décadas antes da inteligência artificial generativa moderna, o ELIZA foi um dos primeiros softwares capazes de simular diálogos e antecipou discussões que ainda cercam ferramentas como o ChatGPT

Criado em 1966, o ELIZA foi um dos primeiros programas capazes de simular conversas humanas (Thinkstock)

Criado em 1966, o ELIZA foi um dos primeiros programas capazes de simular conversas humanas (Thinkstock)

Publicado em 9 de maio de 2026 às 06h23.

Muito antes do ChatGPT e dos atuais modelos de inteligência artificial generativa, um programa criado na década de 1960 já impressionava usuários ao simular conversas humanas.

Chamado ELIZA, o software foi desenvolvido pelo cientista da computação alemão-americano Joseph Weizenbaum, no laboratório do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), e se tornou um marco na história da computação.

Lançado em 1966, o ELIZA foi criado para demonstrar como a comunicação entre humanos e máquinas poderia funcionar por meio de regras simples de linguagem.

O programa analisava palavras e estruturas usadas pelo usuário e respondia utilizando padrões pré-programados. Apesar da simplicidade, o resultado surpreendeu muita gente na época: usuários relatavam a sensação de estar sendo compreendidos pela máquina.

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Como o ELIZA funcionava

O modelo mais conhecido do ELIZA simulava um psicoterapeuta. Em vez de oferecer respostas complexas, o programa reformulava frases e devolvia perguntas ao usuário. Se alguém escrevesse “Estou me sentindo cansado”, por exemplo, o sistema poderia responder algo como “Por que você está se sentindo cansado?”.

Na prática, o software não entendia emoções, contexto ou significado real das frases. Ele apenas identificava palavras-chave e aplicava estruturas prontas de resposta. Ainda assim, a interação parecia natural para muitos usuários, principalmente porque o programa utilizava perguntas abertas e evitava respostas muito específicas.

Mesmo limitado, o ELIZA levantou debates que continuam atuais no universo da inteligência artificial. Joseph Weizenbaum ficou surpreso ao perceber que algumas pessoas criavam conexão emocional com o programa, mesmo sabendo que estavam falando com uma máquina.

O pesquisador chegou a demonstrar preocupação com a forma como usuários atribuíam compreensão e empatia ao software. Décadas depois, discussões semelhantes reaparecem com ferramentas modernas de IA, como o ChatGPT, capazes de produzir respostas muito mais sofisticadas e contextualizadas.

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O que diferencia o ELIZA do ChatGPT

Embora ambos simulem conversas, as diferenças tecnológicas são enormes. O ELIZA trabalhava com regras fixas e respostas previamente estruturadas. Já ferramentas atuais utilizam modelos de linguagem treinados com grandes volumes de dados, permitindo gerar respostas inéditas, interpretar contexto e adaptar o tom da conversa.

Enquanto o programa dos anos 1960 dependia de padrões simples, a inteligência artificial moderna utiliza aprendizado de máquina, processamento avançado de linguagem natural e redes neurais para criar interações muito mais complexas.

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Mesmo quase 60 anos depois de seu lançamento, o ELIZA segue sendo citado como um dos marcos mais importantes da história da inteligência artificial.

O programa mostrou, ainda nos anos 1960, que humanos poderiam reagir emocionalmente a conversas com máquinas, um comportamento que hoje se tornou comum com assistentes virtuais e plataformas de IA generativa.

O software também ajudou a abrir caminho para pesquisas em linguagem natural e interação entre seres humanos e máquinas, áreas que se tornariam centrais no desenvolvimento das tecnologias atuais.

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