Inteligência Artificial

A parceria que deveria mudar a Siri pode pode acabar nos tribunais

O acordo entre Apple e OpenAI, anunciado com festa em 2024, não entregou o que prometeu e a criadora do ChatGPT estuda medidas judiciais

Siri: Apple entra na mira da OpenAI por falha em cumprir contrato de inovações (Jakub Porzycki/Getty Images)

Siri: Apple entra na mira da OpenAI por falha em cumprir contrato de inovações (Jakub Porzycki/Getty Images)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 15 de maio de 2026 às 10h14.

Em junho de 2024, Sam Altman estava na plateia em Cupertino quando Craig Federighi chamou a OpenAI de "pioneira e líder de mercado" em inteligência artificial. A cena parecia inaugurar uma das grandes alianças do setor. Menos de 2 anos depois, a parceria está à beira de um processo judicial.

Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a OpenAI contratou um escritório jurídico externo para mapear alternativas legais contra a Apple. A medida mais provável no curto prazo seria uma notificação formal de descumprimento contratual, um primeiro passo antes de uma ação propriamente dita, que a empresa ainda quer evitar.

O cerne da insatisfação é a distribuição A OpenAI esperava que o ChatGPT se tornasse uma porta de entrada para assinantes pagos dentro do ecossistema da Apple e projetava bilhões de dólares por ano nessa via. A expectativa, entretanto, não vingou: estudos internos da startup mostram que usuários de iPhone recorrem ao app autônomo do ChatGPT muito mais do que à integração com a Siri.

OpenAI viu falta de vontade do lado da Apple

Parte disso é consequência de como a Apple desenhou a experiência: o usuário precisa mencionar "ChatGPT" explicitamente, e as respostas que aparecem são mais enxutas do que no app original. Um executivo da OpenAI disse à Bloomberg que a empresa cumpriu tudo o que cabia a ela no produto.

A Apple, segundo ele, não correspondeu e nem teria tentado de forma genuína. “Nós fizemos tudo o que estava ao nosso alcance em termos de produto. Eles não fizeram e, pior, nem sequer se esforçaram de verdade", disse o executivo que optou pelo anonimato.

Nas conversas iniciais, a Apple teria comparado o acordo ao seu contrato com o Google no Safari, parceria esta que rende dezenas de bilhões anuais para ambos os lados. A comparação não se sustentou, as tentativas de renegociar os termos também não avançaram, e qualquer ação legal só deve vir após o encerramento do processo que a OpenAI enfrenta movido por Elon Musk.

O quadro ficou mais complexo com a decisão da Apple de abrir a Siri para múltiplos fornecedores de IA no iOS 27 com Claude, da Anthropic, e Gemini, do Google, já sendo testados. A empresa, entretanto, não vê isso como o gatilho da crise, já que o acordo original nunca foi exclusivo.

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