CEOs de tecnologia: presidentes estão em viagem ao lado de Donald Trump (Brendan SMIALOWSKI / AFP/Getty Images)
Repórter
Publicado em 14 de maio de 2026 às 05h59.
A aeronave Air Force One pousou no Aeroporto Internacional de Pequim na quarta-feira, 13, com uma delegação que raramente se viu reunida em um único avião.
A bordo estavam alguns dos executivos mais poderosos e mais ricos dos Estados Unidos — juntos, o patrimônio deles se aproxima de US$ 1 trilhão, segundo a CBS News.
A viagem de Trump à China é a primeira visita de Estado do presidente americano ao país desde seu primeiro mandato, em 2017.
A agenda formal inclui comércio, inteligência artificial, a guerra no Irã e semicondutores. Mas para cada CEO a bordo, havia também uma agenda própria e uma conta a saldar com Pequim.
Entre os confirmados pela Casa Branca estavam Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX; Jensen Huang, CEO da Nvidia; Tim Cook, CEO da Apple; Larry Fink, CEO da BlackRock; Kelly Ortberg, CEO da Boeing; Stephen Schwarzman, da Blackstone; Jane Fraser, do Citigroup; David Solomon, do Goldman Sachs; e Dina Powell McCormick, presidente e vice-chair da Meta.
O próprio Trump confirmou a lista em publicação nas redes sociais, dizendo que pediria ao presidente Xi Jinping que "abrisse" a China para que esses executivos pudessem "trabalhar sua magia".
Musk e Huang viajaram a bordo do Air Force One ao lado de Trump. Para cada nome na lista, a China representa algo diferente — e algo difícil de ignorar.
Jensen Huang e a Nvidia chegam a Pequim em momento particularmente sensível.
Em janeiro de 2026, o governo Trump impôs novos requisitos de segurança às vendas de semicondutores da Nvidia à China, mas essencialmente aprovou a exportação de seus chips H200 de inteligência artificial, desde que haja oferta adequada nos EUA e que os chips passem por revisão de terceiros antes de serem exportados.
Logo após o início das reuniões de Trump com Xi, a Reuters reportou que Washington havia aprovado a venda dos chips H200 da Nvidia a cerca de dez grandes empresas de tecnologia chinesas, incluindo Alibaba, Tencent, ByteDance e JD.com.
Elon Musk, cuja fortuna está estimada em US$ 688 bilhões — o maior patrimônio do mundo, segundo o Bloomberg Billionaires Index — tem interesses diretos no mercado chinês, onde a Tesla opera fábricas e vende veículos.
A delegação marca seu retorno ao círculo próximo de Trump após uma briga pública no verão de 2025, quando os dois trocaram acusações nas redes sociais.
Musk eventualmente disse ter arrependimento de algumas de suas postagens e voltou a focar na Tesla e em suas outras empresas.
Tim Cook chega à China em um momento de transição.
O CEO anunciou no mês passado que seu reinado de 15 anos à frente da Apple terminará em 1º de setembro, quando passará o comando para John Ternus, chefe de engenharia de hardware da empresa. Cook permanecerá como presidente executivo.
Durante seus anos como CEO, a Apple viu seu valor de mercado crescer mais de US$ 3,6 trilhões. A dependência da Apple na manufatura chinesa tornou Cook um hábil diplomata comercial, e a viagem é provavelmente uma de suas últimas missões formais nesse papel.
Kelly Ortberg, CEO da Boeing, enfrenta uma equação diferente.
A China elevou sua tarifa de importação sobre produtos americanos para 125% em abril de 2025, em resposta ao aumento das tarifas de Trump sobre produtos chineses para 145%.
Isso mais do que dobrou o custo efetivo dos jatos de passageiros que a Boeing vende para dezenas de milhões de dólares. E aéreas chinesas chegaram a recusar a receber aeronaves da fabricante.
A cúpula acontece em meio a uma trégua comercial frágil entre Washington e Pequim.
Em abril e outubro de 2025, Xi ameaçou restringir o fornecimento de terras raras — minerais críticos para a produção de eletrônicos e equipamentos militares — e Trump recuou. Analistas do Council on Foreign Relations descrevem o momento como aquele em que Xi chega à mesa convicto de que o tempo está ao seu lado.
Na abertura da cúpula de dois dias no Grande Salão do Povo, Xi perguntou a Trump se os Estados Unidos e a China poderiam evitar a "Armadilha de Tucídides", referência histórica à tensão entre uma potência em ascensão e uma potência estabelecida que historicamente termina em conflito.
Analistas do Goldman Sachs esperavam que as discussões se concentrassem em comércio e controles de exportação (incluindo tarifas, restrições a semicondutores e exportações de terras raras) e que a China concordasse em comprar mais produtos agrícolas, energia e aeronaves americanas em troca de evitar novas escaladas tarifárias.
A presença de tantos executivos ao lado de Trump não é acidental.
Para as empresas, estar na delegação equivale a um sinal político — de que seus interesses estão alinhados com os do governo e de que têm acesso direto ao processo de negociação. Para Trump, os CEOs funcionam como demonstração de força econômica e como pressão sobre Xi: não é apenas o presidente americano que quer acesso ao mercado chinês, é a elite do capitalismo americano.
É também a primeira visita de Estado de um presidente americano à China desde que o próprio Trump foi ao país em 2017.
Naquela ocasião, Xi organizou um "estado de visita-plus", que incluiu um jantar privado na Cidade Proibida, desfile pela Praça Tiananmen e uma cerimônia no Grande Salão do Povo anunciando US$ 250 bilhões em acordos comerciais.
O cenário de 2026 é mais sóbrio, mas os interesses em jogo são igualmente altos.
Para os CEOs de tecnologia em particular, a viagem representa algo mais imediato: a possibilidade de que Washington e Pequim cheguem a um entendimento sobre chips de IA, a tecnologia que mais rapidamente está redefinindo o equilíbrio de poder entre as duas maiores economias do mundo.