Warner Bros: venda da companhia de mídia gerou forte disputa entre Netflix e Paramount ( Walter Cicchetti/Getty Images)
Repórter
Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 18h49.
Última atualização em 24 de fevereiro de 2026 às 18h57.
A Warner Bros. Discovery declarou nesta terça-feira, 24, que uma nova oferta de US$ 31 por ação apresentada pela Paramount Skydance pode resultar em um acordo mais vantajoso do que o atualmente firmado com a Netflix, abrindo espaço para uma nova disputa pelo controle do grupo de entretenimento. O movimento reacende a concorrência em torno de ativos relevantes da indústria de Hollywood.
A decisão do conselho ocorreu após um período de sete dias no qual a companhia teve autorização para retomar negociações com a Paramount. Desde setembro, a empresa busca adquirir a controladora da HBO e da CNN, com revisões sucessivas de preço e ajustes nas condições apresentadas ao conselho da Warner.
Por outro lado, a Warner manteve sua recomendação para que os acionistas apoiem a proposta da Netflix, de US$ 27,75 por ação, voltada à aquisição do estúdio e da operação da HBO. A companhia afirmou que os termos atualizados da Paramount cumprem os critérios para reabertura de negociações, inclusive com a própria Netflix.
"O conselho ainda não decidiu se a proposta revisada da Paramount é superior à fusão com a Netflix", declarou a empresa, em um comunicado. A Warner deixou claro que pretende avançar nas conversas com a Paramount e informou que a Netflix terá quatro dias úteis para apresentar resposta caso o colegiado aprove a nova oferta.
"Informaremos nossos acionistas após a análise do Conselho. O acordo de fusão com a Netflix permanece em vigor, e o Conselho continua recomendando a aprovação da transação com a Netflix. Os acionistas da Warner são aconselhados a não tomar nenhuma medida neste momento em relação à oferta pública de aquisição revisada da Paramount."
A proposta revisada da Paramount eleva o valor para US$ 31 por ação, US$ 1 acima da oferta anterior de US$ 30, que avaliava a empresa em cerca de US$ 108 bilhões, incluindo dívidas. Pelo mesmo critério, a oferta da Netflix é estimada em US$ 82,7 bilhões. A direção da Warner argumenta que a cisão de canais de TV por assinatura pode gerar valor adicional aos investidores.
Na oferta, a Paramount também concordou em pagar a multa rescisória de US$ 2,8 bilhões que a Warner deveria à Netflix caso desistisse do negócio, além de uma chamada "taxa de atraso" relacionada a eventuais demoras na obtenção da aprovação dos órgãos reguladores, acrescentou o estúdio no comunicado.
A oferta mais recente da Paramount inclui uma "taxa de acompanhamento" de US$ 0,25 por ação por trimestre caso o acordo não seja concluído até 30 de setembro. O pacote prevê ainda pagamento de US$ 7 bilhões à Warner Bros. se autoridades regulatórias impedirem a transação.
O CEO da Paramount, David Ellison, apresentou uma oferta pública de aquisição das ações da Warner Bros. em dezembro, dias após o anúncio do acordo com a Netflix. Ellison, de 43 anos, havia concluído em agosto a compra da Paramount, proprietária da CBS e da MTV, por US$ 8 bilhões.
Empresas como a Paramount e a Warner enfrentam pressão para consolidação em meio à retração de receitas de mídia tradicional, como televisão a cabo e salas de cinema. O avanço do streaming levou os estúdios a investir em plataformas próprias, com posterior redução de produção e de quadros de funcionários para buscar rentabilidade.
Em outubro, a Warner Bros. informou que avaliava alternativas estratégicas após receber propostas não solicitadas. Paramount, Netflix e Comcast figuraram entre os interessados em adquirir ativos totais ou parciais da companhia.
A disputa ganhou intensidade após a Paramount acusar a Warner Bros. de conduzir um processo de leilão que favoreceria a Netflix.
Tanto o acordo da Warner com a Netflix quanto uma possível fusão com a Paramount precisariam da aprovação dos órgãos reguladores dos EUA para serem concluídos. Mas as duas propostas levantaram preocupações antitruste entre os críticos.