André Mendonça, ministro do STF e relator do caso Master (Nelson Jr./SCO/STF/Flickr)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 23h32.
Última atualização em 11 de setembro de 2026 às 23h55.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master, negou aos seus colegas de Corte o acesso à íntegra dos dados de um celular de Daniel Vorcaro apreendido pela Polícia Federal (PF) e não vai levantar o sigilo do material sob o argumento de que isso prejudicaria as investigações.
Em seu despacho, o ministro afirma que não acessou os dados extraídos do aparelho iPhone 17 Pro de Vorcaro, que foi apreendido pela PF. Mais cedo nesta sexta-feira, os ministros Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes solicitaram a íntegra do conteúdo do celular, ressaltando que o material deveria ser disponibilizado a todos os ministros da Corte antes do julgamento marcado para 15 de agosto no plenário.
Nessa data, o tribunal vai analisar o conteúdo do processo que contém um relatório produzido pela Polícia Federal que detalha a relação entre Moraes e Vorcaro, bem como mostra o banqueiro pedindo ao ministro para "reverter" investigações sobre o Master junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Não há nos autos o registro das respostas de Moraes, dado que o ministro apagava as mensagens após enviá-las.
No documento desta sexta-feira, Mendonça diz que "disponibilizar a totalidade do material, neste momento, com investigações em curso e com a perspectiva de novas fases operacionais, a serem deflagradas a partir das representações que venham a ser formuladas pela autoridade policial e/ou pelo Ministério Público, resultaria na violação do dever estatal de investigar as condutas penalmente relevantes, uma vez que comprometeria o sigilo e a eficiência da persecução penal".
Mendonça afirma ainda que "todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra" aos demais ministros do tribunal e diz que ele próprio "dispõe exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão".
O ministro afirma que o aparelho celular de Vorcaro não está em seu gabinete e que tem apenas uma cópia entregue pela Polícia Federal "de forma voluntária e espontânea, em envelope lacrado", dos dados extraídos. "Tal material permanece lacrado no Gabinete e, portanto, encontra-se inacessível a este relator, que nunca o manuseou". Os advogados de Vorcaro têm acesso a esses dados.
Mais cedo nesta sexta-feira, Moraes criticou a atitude de Mendonça de não enviar o material aos demais ministros do STF e disse, em ofício destinado ao presidente do tribunal, Edson Fachin, que "não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao colegiado para realizar seu julgamento".