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Marca do carro de James Bond vai demitir até 20% dos trabalhadores

Cenário incerto com tarifas de Donald Trump afetou a Aston Martin, que precisará fazer nova reestruturação

Réplica do Aston Martin DB5 utilizada para manobras e acrobracias num filme de James Bond (Christie's/Divulgação)

Réplica do Aston Martin DB5 utilizada para manobras e acrobracias num filme de James Bond (Christie's/Divulgação)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 16h23.

A Aston Martin, marca famosa pelos carros do personagem James Bond, planeja cortar até 20% de sua força de trabalho, hoje formada por cerca de 3 mil funcionários, em meio ao impacto das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre seu processo de reestruturação.

A montadora britânica prevê economizar aproximadamente £ 40 milhões (R$ 278 milhões) com a medida, arcando com custos relacionados estimados em £ 15 milhões (R$ 104 milhões), segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira, 25. O novo ajuste é mais profundo que o de um ano atrás, quando a empresa previa reduzir 5% dos postos.

A companhia tenta encerrar anos de prejuízo e diminuir sua dívida. Segundo a Bloomberg, a reestruturação liderada pelo bilionário Lawrence Stroll, que assumiu a operação em 2020, tem sido afetada por atrasos no lançamento de produtos, falhas de qualidade, tarifas mais altas nos Estados Unidos — seu maior mercado — e pela desaceleração da demanda na China.
Esses entraves resultaram em três revisões negativas de lucro ao longo do último ano, a mais recente anunciada na sexta-feira. Diante do cenário, o CEO Adrian Hallmark reforça o foco em cortes de custos.
“Eu não quero culpar Donald Trump por todos os nossos problemas, mas ele certamente foi uma grande parte do desafio que enfrentamos no ano passado”, afirmou Hallmark, sem detalhar o impacto exato das tarifas. Segundo ele, o plano de atingir o ponto de equilíbrio em 2025 ficou distante da realidade.
Na última sexta-feira, foi firmado um acordo de £ 50 milhões para vender à equipe de Fórmula 1 — controlada separadamente por Stroll — os direitos de uso do nome Aston Martin até depois de 2055.
As ações da Aston Martin chegaram a avançar até 5% no pregão desta quarta-feira em Londres, mas reduziram o ímpeto ao longo do dia. O papel acumula uma perda de quase metade de seu valor nos últimos 12 meses.
A empresa registrou prejuízo de £ 493 milhões no ano passado e projeta apenas uma melhora no fluxo de caixa livre negativo em 2026, sem expectativa de que vire para o campo positivo. A geração de fluxo de caixa livre positivo segue como meta central da montadora.

Desempenho e perspectivas financeiras

A receita da companhia caiu 21% em 2025, para £ 1,26 bilhão, com entregas semelhantes às do ano passado: 5.448 veículos. Para este ano, a empresa prevê desempenho financeiro melhor, impulsionado por mais entregas do Valhalla, seu supercarro híbrido de preço mais caro.
Desde a chegada de Stroll, a Aston Martin recorreu a sucessivas captações de capital para reduzir sua alavancagem. A montadora encerrou o ano com dívida líquida de £ 1,38 bilhão e £ 250 milhões em caixa, de acordo com a Bloomberg.

Aston Martin na Paraíba

A marca britânica anunciou seu primeiro projeto residencial no Brasil e na América do Sul, em parceria com o Setai Grupo GP, maior incorporadora privada do Nordeste. O empreendimento será erguido em João Pessoa, na Paraíba, com entrega prevista para 2031.

“Sou um admirador da marca, e acredito que ela sempre representou o quitting luxure [luxo discreto], e isso tem a ver com o que queremos. Sempre externalizei o desejo de fazer um empreendimento com eles. Já estávamos com parceria com outras marcas, como Pininfarina, até que recebemos uma ligação deles”, explica André Penazzi, CEO do grupo.

O Setai Residences Interiors by Aston Martin prevê uma torre de 45 andares, inserida em um complexo de aproximadamente 30 mil metros quadrados, com projeção de ser vendido a partir de R$ 20 mil por metro quadrado. Para o executivo, a escolha por João Pessoa torna o empreendimento único, já que ele deve constar entre os edifícios mais altos do Nordeste.

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