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K-Pop? Não, K-Food: exportação de comida coreana bate R$ 76 bi em 2025

Popularidade do K-pop e inflação global impulsionam demanda por K-Food

K-Food: cultura pop e preços acessíveis impulsionam a expansão global dos alimentos sul-coreanos. (Aditya Irawan/NurPhoto via Getty Images)

K-Food: cultura pop e preços acessíveis impulsionam a expansão global dos alimentos sul-coreanos. (Aditya Irawan/NurPhoto via Getty Images)

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 08h51.

As exportações de alimentos da Coreia do Sul, conhecidas como K-Food, alcançaram US$ 13,62 bilhões em 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais do país.

O resultado representa um crescimento de 5,1% em relação ao ano anterior e marca o décimo ano consecutivo de alta, atingindo o maior patamar já registrado.

O avanço foi puxado pelo segmento chamado de K-Food+, que reúne produtos alimentícios e indústrias agrícolas. Dentro desse grupo, o grande destaque foi os macarrões instantâneos coreanos (ramyeon), cujas exportações dispararam quase 22%, somando US$ 1,52 bilhão. Foi a primeira vez que uma categoria individual de alimentos do país superou a marca de US$ 1 bilhão em vendas externas.

Produtos como ramyeon apimentado com sabor de queijo ganharam espaço em mercados como China, Estados Unidos, além de países emergentes da Ásia Central e do Oriente Médio. Em relatório divulgado no fim de 2025, o ministério afirmou que as empresas ampliaram a produção e estabilizaram as cadeias de suprimento para atender à demanda global crescente.

Além dos macarrões instantâneos, molhos coreanos se beneficiaram da preferência internacional por sabores picantes e adocicados, enquanto sorvetes e frutas também registraram aumento nas exportações.

K-pop impulsiona a demanda global

K-Food: cultura pop e preços acessíveis impulsionam a expansão global dos alimentos sul-coreanos (Aditya Irawan/NurPhoto via Getty Images)

Segundo a CNBC, analistas avaliam que a expansão do K-Food está diretamente ligada à popularidade global da cultura sul-coreana. O sucesso do K-pop e dos dramas televisivos ampliou a exposição da culinária do país, com cenas recorrentes de personagens consumindo ramyeon em séries, programas de variedades e campanhas publicitárias.

Segundo Oh Jiwoo, analista da CGS International, as empresas seguem estratégia semelhante à das gravadoras de K-pop, buscando crescimento fora do mercado doméstico. Ela observa que marcas consolidadas já dominam o consumo interno, o que limita a expansão dentro do país.

A Nongshim, líder do setor e dona da marca Shin Ramyeon, detém mais de 60% de participação no mercado sul-coreano. Em comunicado interno no início de 2026, o CEO Cho Yong-chul afirmou que o princípio estratégico da empresa para o ano seria “Agilidade Global e Crescimento”, com foco na expansão internacional.

A Otoki, fabricante do Jin Ramen, também reforçou a estratégia externa. Em assembleia de acionistas realizada em março de 2025, o CEO Hwang Sung-man afirmou que a empresa pretende priorizar mercados globais e alcançar 1,1 trilhão de won (US$ 746 milhões) em receita internacional até 2030.

Oh acrescenta que o declínio demográfico da Coreia do Sul restringe o crescimento de longo prazo no mercado interno, empurrando as empresas para o exterior. Como resposta, fabricantes passaram a usar ídolos do K-pop como embaixadores globais, ampliando o apelo internacional das marcas.

A Nongshim nomeou o grupo Aespa como embaixador global no fim de 2025, após uma colaboração com a Netflix em uma linha temática ligada ao universo do K-pop, segundo a CNBC. Já a Otoki escolheu Jin, integrante do BTS, como rosto global do Jin Ramen.

Inflação externa favorece consumo

Outro fator que impulsiona as exportações é o aumento do custo de vida em mercados desenvolvidos. Um relatório da Macquarie, divulgado em novembro, aponta que a inflação ampliou o mercado de macarrão instantâneo nos Estados Unidos, à medida que consumidores buscam refeições mais baratas e práticas.

De acordo com dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, a inflação de alimentos consumidos fora de casa chegou a 8,8% em março de 2023, após superar 5,3% em 2021, o maior nível em 13 anos. Mesmo com a desaceleração, a taxa mais recente ainda gira em torno de 4,1%.

Enquanto isso, fabricantes sul-coreanos enfrentam limites regulatórios para reajustes de preços no mercado doméstico, o que reduz a capacidade de repassar custos. No exterior, porém, os preços médios são significativamente mais altos. Segundo Oh, em mercados asiáticos os valores podem ser 30% a 50% superiores aos praticados na Coreia do Sul, enquanto nos Estados Unidos chegam a ser aproximadamente o dobro.

A Macquarie destaca que marcas japonesas e coreanas se beneficiam de mudanças no padrão de consumo graças ao foco em inovação de produtos e posicionamento premium. A Samyang Foods, conhecida pela linha Buldak, é apontada como uma das principais beneficiárias. A instituição projeta que a empresa aumente sua participação no mercado americano de 11,4% para 23,9% até 2028.

A Buldak ganhou notoriedade global em 2014 com o chamado “desafio do macarrão de fogo”, no qual consumidores tentavam comer o produto sem beber água. Em 2024, alguns itens chegaram a ser retirados temporariamente de circulação na Dinamarca por autoridades regulatórias devido ao alto teor de capsaicina, mas a decisão acabou sendo revertida.

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