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Instagram Shopping chega ao Brasil e amplia disputa com TikTok no social commerce

Nova fase da Meta leva recurso de compras a 22 países e reforça disputa com TikTok Shop em um mercado onde influenciadores já impactam mais da metade das decisões de compra

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 27 de abril de 2026 às 09h47.

Última atualização em 27 de abril de 2026 às 09h47.

A forma como os brasileiros compram na internet está mudando rapidamente, e o que antes começava em buscas no Google ou em grandes marketplaces agora acontece diretamente no feed das redes sociais. O Brasil soma cerca de 150 milhões de usuários ativos em redes sociais, segundo o DataReportal 2026, e esse público consome informação, entretenimento e, crescentemente, produtos sem sair dessas plataformas. O avanço do social commerce transforma plataformas como Instagram e TikTok em canais diretos de venda e reduz a distância entre descoberta e conversão. Segundo estudo da Accenture, compras mediadas por redes sociais avançam até três vezes mais rápido do que o e-commerce tradicional.

Após o crescimento do TikTok Shop — plataforma que deve movimentar R$ 39 bilhões no Brasil até 2028, chegando a 9% de todo o e-commerce nacional —, é a vez do Instagram Shopping ganhar força no país com funcionalidades que aproximam o aplicativo de um ambiente completo de vendas. O recurso chega como parte de uma nova fase de expansão da Meta, dona do Instagram, que abrange 22 países e busca fortalecer sua presença no comércio digital. O contexto é favorável: o e-commerce brasileiro faturou mais de R$ 200 bilhões em 2025 e deve ultrapassar R$ 258 bilhões em 2026, crescimento estimado de 10%, segundo a ABComm.

Segundo Daniel Arcoverde, CEO e cofundador da Netshow.me, empresa especializada em soluções de live commerce, o mercado acelera porque une dois fatores decisivos: atenção e produto. "As redes sociais já concentram a atenção do público, e agora conseguem transformar esse tempo de consumo em oportunidade real de compra", afirma.

O Instagram já alcança mais de dois terços da população brasileira, presente nos smartphones de 91,2% dos internautas com 16 anos ou mais. Os dados confirmam a força comercial da plataforma: 73% dos usuários brasileiros já compraram algum produto ou contrataram um serviço que descobriram no Instagram, e 69% realizaram compras a partir da indicação de influenciadores ou outros usuários, segundo o relatório Instagram 2026 do Opinion Box, com base em 1.102 entrevistados. Não à toa, 98% das marcas brasileiras que trabalham com marketing de influência escolhem o Instagram como canal principal.

A principal mudança está na criação de um caminho mais curto entre engajamento e compra. Criadores de conteúdo agora podem vincular até 30 produtos diretamente em publicações, especialmente em formatos como Reels, que o próprio Instagram prioriza no algoritmo para competir com o TikTok, permitindo que usuários visualizem ofertas e acessem itens de plataformas como Amazon e Shopee com poucos cliques.

Na avaliação de Arcoverde, o Instagram demorou para avançar no social commerce no Brasil e iniciou sua estratégia pelo modelo de afiliados, em que criadores recebem comissões por vendas geradas a partir de suas recomendações. O movimento segue uma lógica já documentada no setor: TikTok para descoberta, Instagram para desejo, WhatsApp para conversão, uma jornada de consumo que se tornou comum entre o novo perfil de comprador digital brasileiro.

Segundo ele, a tendência é que a plataforma avance para um sistema de checkout próprio dentro do aplicativo. Isso reduziria a necessidade de o usuário sair da rede social para concluir o pagamento, diminuindo a chance de desistência e aumentando a conversão. Hoje, o Instagram ainda redireciona o usuário para fora do app na etapa de pagamento, limitação que o TikTok Shop já superou em seus principais mercados.

Live commerce avança e ganha espaço também no mercado B2B

Outra tendência que cresce no Brasil é o live commerce, modelo de vendas ao vivo que combina demonstração de produtos, interação com o público e conversão em tempo real. O formato já se tornou comum em plataformas como Shopee e Shein e domina parte importante do comércio eletrônico asiático — onde a integração entre conteúdo e compra reduz o tempo de decisão do consumidor para menos de sete minutos, segundo análise do setor.

Na China, o live commerce já representa cerca de 20% de todo o e-commerce do país, segundo Arcoverde. No Brasil, além do varejo tradicional, a prática também começa a ganhar espaço no ambiente corporativo, especialmente entre indústrias e distribuidores.

Esse movimento ficou conhecido como Live Commerce B2B, em que empresas realizam transmissões ao vivo para vender produtos diretamente a lojistas e revendedores. Diferentemente das redes sociais abertas, essas operações ocorrem em ambientes controlados, com captura de dados da audiência, venda em lotes e gestão integrada de pedidos.

Segundo a Netshow.me, em alguns casos, transmissões de cerca de uma hora e meia já movimentaram mais de R$ 25 milhões em vendas, indicando que o modelo pode se consolidar como uma nova frente relevante no comércio digital brasileiro.

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