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Entenda por que Jerome Powell é investigado pela Justiça americana

Estouro de orçamento em obras de edifícios do Federal Reserva coloca o 'chairman' no centro da investigação

Powell: ameaça de indiciamento criminal (Natalie Behring/Getty Images)

Powell: ameaça de indiciamento criminal (Natalie Behring/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 11h38.

Última atualização em 12 de janeiro de 2026 às 11h49.

Uma investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) colocou no centro do debate institucional o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e reacendeu o embate entre o banco central americano e o presidente Donald Trump. A apuração da Justiça envolve reformas bilionárias nos prédios do Fed em Washington e ocorre em meio a uma escalada de pressões políticas sobre a política monetária dos EUA.

Powell confirmou no domingo ter sido intimado pelo DoJ, em um gesto "sem precedentes". Foi a primeira vez que o chairman rebateu, publicamente, as pressões que vem sofrendo por parte de Trump.

"Ninguém, nem mesmo o presidente do Federal Reserve está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista em um contexto maior, de ameaças da administração e pressões", afirmou.

O que está sendo investigado?

O foco da investigação são projetos de renovação de dois imóveis: o edifício Marriner S. Eccles e um outro na Constitution Avenue, em Washington. Essas reformas começaram a ser realizadas em 2022 e têm previsão de conclusão para 2027. O Fed justificou as reformas alegando que os edifícios não passavam por reparos relevantes desde que foram construídos, na década de 1930.

No entanto, o orçamento previsto para a renovação dos imóveis acabou estourando. Desde que as obras começaram, o investimento ultrapassou em US$ 700 milhões o valor estabelecido inicialmente, chegando a US$ 2,5 bilhões. Trump alega que essa cifra chega a US$ 3,1 bilhões, informação negada por Powell.

O projeto inicial, elaborado em 2021, previa a instalação de elevadores, salas de jantar e até fontes de água, além de estruturas de mármore. Powell diz que nenhum desses "luxos" vingou no projeto final. As melhorias, segundo ele, visavam apenas tornar mais eficiente o consumo de água, energia e outros recursos nos dois edifícios, o que reduziria os custos do Fed ao longo do tempo.

Sobre o estouro do orçamento, o Fed sustenta que os valores passaram do previsto por conta do aumento de custos de materiais e mão de obra, além da descoberta de mais amianto e contaminação tóxica no solo do que o previsto. As intervenções incluem remoção de amianto e chumbo, adequação a normas de acessibilidade e modernização de sistemas elétricos e de ventilação.

A investigação é conduzida pelo escritório do procurador dos EUA para o Distrito de Columbia e foi autorizada pela procuradora Jeanine Pirro, indicada por Trump. Os promotores analisam documentos de gastos, contratos e depoimentos públicos de Powell ao Congresso.

Marriner S. Eccles: construção abriga principais escritórios do Fed em Washington (Reprodução da internet)

O pano de fundo político

A investigação ocorre após um ano de pressões públicas do governo Trump para que o Fed cortasse juros de forma mais agressiva ou para que Powell deixasse o cargo.

Em um pronunciamento em vídeo, o presidente do Fed afirmou que as investigações são consequência direta da postura independente da autoridade monetária. “Trata-se de saber se o Fed continuará a definir juros com base em dados e condições econômicas ou se a política monetária será ditada por pressão política ou intimidação”, disse.

Trump, por sua vez, afirmou à NBC News que “não sabe nada” sobre a investigação, mas voltou a criticar Powell, dizendo que ele “não é muito bom no Fed” nem “em construir prédios”. O presidente também já sugeriu que poderia demiti-lo, embora a lei permita a remoção de dirigentes do Fed apenas “por justa causa”.

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