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Um ano após queda bilionária, criptomoedas buscam novas apostas

Moeda continua mais de 30% abaixo da máxima histórica, e tentativas de recuperação sustentada falharam repetidamente

Bitcoin segue 30% abaixo do recorde um ano após a maior liquidação cripto (Bitybank/Divulgação)

Bitcoin segue 30% abaixo do recorde um ano após a maior liquidação cripto (Bitybank/Divulgação)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 10 de outubro de 2026 às 12h20.

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Doze meses depois da maior liquidação já registrada no mercado de criptomoedas, o Bitcoin continua mais de 30% abaixo de sua máxima histórica. As tentativas de recuperação sustentada falharam repetidamente, e os investidores têm demorado a reconstruir as posições alavancadas que impulsionaram os maiores booms do setor.

Há um ano, o mercado vivia um momento de otimismo, embalado pelo apoio da Casa Branca, pelo entusiasmo de Wall Street e pela expectativa de uma nova era de ouro.

A queda de outubro eliminou um recorde de US$ 19 bilhões em apostas alavancadas em um único dia, provocou uma retração em todo o setor e expôs a fragilidade de uma estrutura de mercado que se dizia em fase de maturidade, de acordo com a Bloomberg.

Apetite por alavancagem ainda é menor

O volume de contratos em aberto vinculados a futuros perpétuos de Bitcoin, indicador do apetite por apostas alavancadas, era de cerca de US$ 45 bilhões há um ano, segundo a CryptoQuant. Nos seis meses seguintes à queda, esse valor caiu para menos da metade.

A alta recente do Bitcoin acima de US$ 80.000 devolveu parte da confiança, mas o volume de contratos em aberto na maior criptomoeda do mundo segue bem abaixo do pico.

Mercado está mais resiliente?

A crise não impediu que bancos e grandes corretoras seguissem experimentando ativos digitais. Para Julia Zhou, presidente da corretora de criptomoedas Caladan, mais importante do que saber se a alavancagem gera retorno é avaliar se o mercado se tornou mais resiliente.

Segundo ela, o ponto central da queda foi a velocidade com que a liquidez desapareceu quando o mercado mais precisava. Hoje, afirma, os investidores entendem melhor os riscos, mas "o mercado continua altamente fragmentado e a liquidez ainda pode se deteriorar rapidamente".

O argumento a favor de um mercado mais forte é que a alavancagem é menor, as bolsas oferecem ativos menos correlacionados e algumas plataformas reforçaram seus sistemas de liquidação.

Aposta migra para ativos do mundo real

Os investidores, no entanto, não perderam o gosto pelo risco: foram em busca de novas fronteiras. Os mercados de previsão atraem multidões, e os contratos futuros perpétuos, os chamados "perps", tradicionais na negociação de criptomoedas, passaram a ser usados para apostas alavancadas em ações, commodities e outros ativos do mundo real.

O interesse nesses contratos, praticamente inexistente há um ano, ultrapassa hoje os US$ 17 bilhões, segundo a DefiLlama. Grande parte desse avanço foi impulsionada pela Hyperliquid, corretora de criptomoedas offshore que foi pioneira em vincular contratos perpétuos a ações e commodities.

Para Adam McCarthy, chefe de pesquisa da empresa de negociação LO:TECH, a mudança "conta uma história de crescimento de pessoas que querem rendimento e liquidação em infraestruturas que nunca fecham", e não de pessoas atrás de uma narrativa ou de uma criptomoeda da moda.

Na prática, ferramentas que ajudaram a transformar as criptomoedas em um fenômeno especulativo ganham usos muito além dos tokens para os quais foram criadas. Enquanto isso, Wall Street avança com stablecoins, tokenização e a infraestrutura financeira construída sobre a tecnologia blockchain.

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