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Por que o bitcoin caiu para US$ 73 mil? Especialistas revelam motivos

Maior criptomoeda do mundo já vinha em queda significativa, mas aprofundou o movimento; entenda o porquê

 (Reprodução/Reprodução)

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Mariana Maria Silva
Mariana Maria Silva

Editora do Future of Money

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 09h40.

Última atualização em 4 de fevereiro de 2026 às 09h41.

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Nesta quarta-feira, 4, o bitcoin é negociado na casa dos US$ 76 mil após ter despencado abaixo de US$ 73 mil na última terça-feira, 3. A maior criptomoeda do mundo chegou a custar US$ 72.897 em um movimento de queda que alimentou ainda mais o pessimismo do mercado.

No momento, o bitcoin é cotado a US$ 76.036, com variação próxima de 0% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinMarketCap. Nos últimos sete dias, no entanto, a criptomoeda acumula queda de mais de 15%.

O Índice de Medo e Ganância, utilizado para medir o sentimento do mercado cripto, sinaliza "medo extremo" em 14 pontos, uma das pontuações mais baixas do indicador, que vai de 0 a 100.

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Por que o bitcoin caiu para US$ 73 mil?

Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, explicou que o movimento recente de queda do bitcoin "reflete um aumento da aversão ao risco, impulsionado por fatores geopolíticos e macroeconômicos".

No lado geopolítico, as tensões entre EUA e Irã voltaram a se intensificar. "Esse cenário impactou diretamente os ativos de risco. O bitcoin e outros criptoativos reagiram negativamente, movimento que também foi observado nas bolsas americanas", disse Rony.

Já no lado macroeconômico, há sinais de pressão e fragilidade. "O risco de shutdown nos Estados Unidos adiciona pressão ao mercado em um momento de fragilidade. A suspensão da divulgação de dados econômicos relevantes reduz a visibilidade sobre inflação, emprego e política monetária, elevando a incerteza macroeconômica", disse o head de research do Mercado Bitcoin.

"Em ambientes assim, investidores tendem a diminuir exposição a ativos mais voláteis. O bitcoin, no curto prazo, segue sensível a esse movimento, reforçando a pressão vendedora", acrescentou.

O especialista aponta que o cenário permanece negativo no curto prazo, com viés de baixa para o bitcoin e efeito de contágio sobre as altcoins, criptomoedas alternativas ao bitcoin.

"A recomendação é de cautela, já que novas quedas não podem ser descartadas. Por outro lado, sob a ótica de longo prazo, correções seguem sendo oportunidades para acumulação gradual de bitcoin, por meio de aportes espaçados e periódicos", concluiu.

Análise de mercado do bitcoin

Henry Oyama, diretor da Hashdex, traçou uma análise do momento atual do mercado cripto, principalmente do bitcoin. O especialista apontou alguns motivos para a queda e revelou que o cenário é de incerteza:

“Recentemente, vimos o price action em cripto neste inicio do ano muito mais explicado por uma sequência de choques de curto prazo — e por mecânicas de posicionamento e liquidez — do que por uma deterioração estrutural de fundamentos. O mais recente, relacionado a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed, reancorou expectativas de uma política monetária potencialmente mais dura, fortaleceu o dólar e ajudou a puxar um movimento de de-risking em outras classes de ativos, o que normalmente pressiona ativos de maior beta como cripto", disse.

"Além disso, tivemos um gatilho técnico importante: liquidações em massa de posições alavancadas, amplificadas por liquidez mais baixa no fim de semana, somadas ao ruído fiscal nos EUA com o shutdown a partir de 31 de janeiro, e um ambiente de mais aversão a risco com escalada de tensões entre EUA e Irã e preocupações vindas do Japão!, acrescentou.

"Ao mesmo tempo, no longo prazo, o pano de fundo segue construtivo: stablecoins continuam crescendo e reforçando o uso de cripto como infraestrutura financeira; a tokenização avança de forma consistente — com Treasuries tokenizados já na casa de ~US$ 10 bilhões — e vemos sinais claros de adoção pelo mercado tradicional, com iniciativas da NYSE/ICE para uma plataforma de negociação/liquidação de securities tokenizados e movimentos da Nasdaq para viabilizar a negociação de valores mobiliários tokenizados dentro da infraestrutura regulada do mercado. Em paralelo, há progresso regulatório nas discussões de estrutura de mercado nos EUA (Clarity Act avançando em comitês), o que tende a reduzir incerteza e prêmio de risco ao longo do tempo", disse Henry Oyama, da Hashdex.

Para o diretor da Hashdex, a leitura final é: " o curto prazo está complexo e os movimentos técnicos ficam difíceis de interpretar diante de tantos vetores macro e geopolíticos, mas seguimos confiantes e animados com a evolução e a adoção da tecnologia olhando para o longo prazo.”

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