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Publicado em 29 de setembro de 2026 às 14h20.
O Banco Central indeferiu pela primeira vez um pedido de autorização para operar como Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (PSAV). A decisão atinge a Higherway Tech Soluções, conhecida comercialmente como Higher Global. O ato foi publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira (28). A decisão do diretor do BC está datada de 25 de agosto de 2026.
Sem a autorização, a empresa não pode prestar serviços de ativos virtuais. Também fica impedida de oferecer outros serviços que dependem de aval do BC.
PSAV é a sigla usada pelo regulador para as empresas que negociam, intermediam ou guardam cripto para terceiros. O grupo reúne corretoras, custodiantes e intermediárias.
Desde fevereiro de 2026, essas companhias precisam de autorização formal para funcionar no país. Elas passaram a ser supervisionadas de forma contínua pelo BC, no mesmo modelo aplicado a instituições financeiras. O prazo para protocolar os pedidos termina em 30 de outubro de 2026.
Até agora, o regulador havia apenas colocado empresas em análise. Nenhuma tinha recebido uma negativa formal.
A Higherway Tech Soluções é uma empresa brasileira de tecnologia financeira com sede em São Paulo. Foi fundada em 2020 e tem capital social de R$ 1,5 milhão. Atua em pagamentos globais, câmbio corporativo e intermediação de crédito.
A companhia se apresenta como correspondente de instituições financeiras e também opera como correspondente cambial. No registro constam ainda outras atividades, como consultoria em gestão empresarial, gestão de ativos intangíveis não financeiros e agenciamento de serviços e negócios em geral, com exceção do setor imobiliário.
Na composição societária aparecem como responsáveis legais Bruno Riscado Dias e a Be Higher Participações.
No Diário Oficial, a autarquia registra que a sociedade não poderá mais prestar serviços de ativos virtuais nem outros serviços sujeitos a autorização do BC. O regulador não divulgou o motivo da negativa.
Em nota ao Finsiders Brasil, a Higher afirmou ter sido uma das primeiras empresas do setor a protocolar o pedido. A solicitação foi entregue em 30 de janeiro de 2026. Segundo a empresa, parte relevante das exigências prudenciais, operacionais e informacionais ainda estava em processo de detalhamento naquele momento.
Requisitos prudenciais são as regras de capital e de gestão de risco que o regulador impõe para garantir que a instituição consiga honrar suas obrigações.
Depois do protocolo, o BC publicou normas adicionais. A Resolução BCB nº 580, de 1º de julho de 2026, enquadrou as prestadoras de serviços de ativos virtuais como instituições do Tipo 3, vedou o enquadramento no Segmento 5 e determinou a aplicação do regramento prudencial.
Neste mês, o regulador publicou a Resolução BCB nº 589. A norma alterou a Resolução BCB nº 520 e ampliou as exigências de envio de informações. Entre os dados exigidos estão saldos contábeis, custódia de ativos virtuais, provas de reservas e operações de staking. Staking é a prática de travar cripto em uma rede blockchain para ajudar a validar transações e receber recompensas.
“Esse desenvolvimento normativo ocorrido após o protocolo demonstra que o ambiente regulatório e os procedimentos técnicos aplicáveis às PSAVs continuaram sendo aprimorados durante a tramitação do pedido da Higher”, afirmou Bruno Dias, CEO da Higher, em nota ao Finsiders Brasil.
A empresa disse que analisa a decisão com assessores jurídicos e regulatórios. O exame envolve os fundamentos apresentados pelo BC e os efeitos específicos do indeferimento.
A Higher considera prematuro antecipar qualquer medida antes de concluir essa avaliação técnica. Isso inclui a eventual apresentação de pedido de revisão ou de outras medidas administrativas e judiciais.
“O indeferimento diz respeito ao pedido submetido ao Banco Central e não representa, por si só, uma decisão da companhia de abandonar o segmento de ativos virtuais. A Higher segue comprometida com uma atuação responsável, com a proteção de seus clientes e com o cumprimento integral da regulamentação aplicável”, disse Bruno Dias ao Finsiders Brasil.
Sobre as operações, a empresa afirma que avalia as adequações necessárias diante das normas vigentes e do teor da decisão. Em paralelo, estuda alternativas estratégicas e regulatórias para dar sequência ao plano de negócios. Não há definição sobre atuação em outros países nem sobre encerramento das atividades no segmento cripto no Brasil.
Sete companhias seguem em processo de aprovação, segundo levantamento do Finsiders Brasil. Nenhuma delas está associada a grandes nomes já consolidados no mercado cripto brasileiro. Para a Matera, a expectativa é que esse número chegue a dez.
A lista atual reúne Transfero, Mazzera, PFPAY, Masterpay, W Brasil Comércio, Onda Finance e Wynx Exchange.
A negativa chega em um período de reorganização do setor. Nos últimos meses, empresas como Lemon, Digitra.com, Coinext, NovaDAX e Bitnuvem anunciaram saída ou redesenho das operações no país. A Crypto.com encerrou a conta em reais para clientes brasileiros.
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