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Quem foi o único medalhista olímpico a ganhar o Nobel da Paz?

Conheça a trajetória de um atleta britânico que se transformou em um dos maiores defensores da paz mundial

Noel-Baker: do pódio olímpico ao Nobel da Paz

Noel-Baker: do pódio olímpico ao Nobel da Paz

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 08h35.

Ganhar um Nobel da Paz é muito difícil, assim como ganhar uma medalha olímpica. Ganhar os dois? É um feito tão raro que, até hoje, só uma pessoa conseguiu: Philip Noel-Baker foi o único indivíduo na história a conquistar uma medalha olímpica e, décadas depois, ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Sua trajetória combina conquistas esportivas, serviço público e um compromisso profundo com a paz global.

Quem foi Philip Noel-Baker?

Noel-Baker nasceu em Londres, em 1º de novembro de 1889, em uma família de tradição quaker, movimento cristão baseado na igualdade, pacifismo e simplicidade. Ele foi um estudante destacado e, antes dos 25 anos, já havia obtido honras acadêmicas em história e economia em Cambridge, além de estar a caminho de aprofundar seus estudos em direito internacional.

Paralelamente à vida intelectual, Noel-Baker se destacou como atleta. Em 1912, aos 22 anos, ele era presidente do clube atlético de Cambridge e integrou a seleção britânica de atletismo nos Jogos Olímpicos de Estocolmo. Nessa edição, competiu nas provas de 800 e 1500 metros, ficando em sexto lugar nos 1500 metros, em um evento marcado por inovações e recordes.

A Primeira Guerra Mundial interrompeu os Jogos de 1916 e a vida normal de milhões de pessoas, inclusive a dele. Quando os Jogos retornaram em 1920, em Antuérpia, na Bélgica, Noel-Baker, então com 30 anos, conquistou a medalha de prata nos 1500 metros. Essa foi a sua única medalha olímpica e uma das poucas da Grã-Bretanha naquela edição.

Vida após a Guerra

A experiência da guerra teve impacto profundo em sua visão de mundo. Noel-Baker serviu em unidades de ambulância por convicção pacifista e viu de perto as consequências do conflito. Como muitos de sua geração, isso o motivou a dedicar sua vida à construção de instituições que pudessem prevenir novas guerras.

Depois de 1918, ele se envolveu com a criação e fortalecimento da Liga das Nações, organização precursor da Organização das Nações Unidas. Ao longo das décadas seguintes, ele atuou em papéis importantes no Parlamento britânico pelo Partido Trabalhista e foi um defensor incansável do desarmamento e da cooperação internacional, trabalhando também na consolidação da ONU após a Segunda Guerra Mundial.

Seu compromisso com a paz foi reconhecido em 1959, quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz. O comitê destacou seu trabalho de décadas promovendo o desarmamento e a diplomacia multilateral, inclusive após a publicação de seu livro "The Arms Race: A Programme for World Disarmament", em que propunha um plano abrangente para a eliminação de armas.

 

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Até o final de sua vida, Noel-Baker continuou a refletir sobre os desafios de um mundo marcado por novas tecnologias bélicas e a corrida armamentista. Em sua palestra como laureado do Nobel, ele alertou para os perigos das armas modernas e reafirmou que não faz sentido falar de paz sem imaginar o fim de todas as guerras.

Mesmo após sua morte, em 8 de outubro de 1982, aos 92 anos, sua vida permanece como um exemplo singular de um homem que transitou com sucesso entre o pódio olímpico e as mesas de negociação da paz.

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