Yuri Alberto, do Corinthians: time pagará R$ 679 milhões, após desconto de 46,6% sobre juros, multas e encargos. (Alexandre Schneider/Getty Images)
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 13h39.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o Sport Club Corinthians Paulista fecharam um acordo para regularizar uma dívida de quase 20 anos, que totalizava R$ 1,2 bilhão. As informações são exclusivas do SBT News. Com o acordo, o Corinthians pagará R$ 679 milhões, após desconto de 46,6% sobre juros, multas e encargos.
O pagamento será parcelado em 120 vezes para os débitos não previdenciários e 60 vezes para os previdenciários.
O valor incluí débitos não previdenciários (R$ 1 bilhão), previdenciários (R$ 200 milhões) e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (R$ 15 milhões). A proposta, apresentada em 2024, passou por intensas negociações antes de ser formalizada como transação tributária, abrangendo toda a dívida do clube com a União.
Em entrevista ao SBT News, Théo Dias, assessor especial da PGFN, detalhou as condições do acordo. Ao ser questionado sobre as concessões que ambas as partes precisaram aceitar, ele explicou:
"A transação tributária se baseia no consenso entre as partes, com concessões e compromissos mútuos. No caso do Corinthians, a Fazenda concedeu um desconto expressivo e o prazo de 120 meses para pagamento. O clube, por sua vez, abriu mão de disputas judiciais sobre a dívida e apresentou garantias, que poderão ser acionadas apenas em caso de inadimplemento — algo que não se espera. É uma pacificação do conflito entre a União e o clube, possível graças às concessões recíprocas incluídas no acordo firmado na semana passada', afirmou.
No caso do FGTS, o clube optou pela modalidade oferecida pela Caixa Econômica Federal, que concede desconto de pouco mais de 30% e permite pagamento em 60 parcelas. Para os créditos de contribuição social previstos na LC 110/2001, o pagamento será à vista, com desconto de 70%.
Para assegurar o pagamento, o Corinthians ofereceu os valores do Timemania, loteria federal administrada pela Caixa, referentes a parcelas vencidas, conforme o artigo 7º-A da Lei nº 11.345/2006.
Além disso, o Parque São Jorge Clube Esportivo, avaliado em R$ 602,2 milhões, também foi incluído como garantia.
Outro ponto importante do acordo é a obrigação do clube de manter sua regularidade fiscal no futuro, garantindo o pagamento correto dos tributos em dia. A PGFN acompanhará de perto o cumprimento dos termos da transação.
Outros times brasileiros também firmaram acordos tributários com a PGFN. O mais recente foi com o Sport Club Internacional, em 2025, dentro do programa SOS-RS, iniciativa do governo federal para apoiar a recuperação econômica do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024.
O acordo regularizou dívidas de 18 anos e prevê o pagamento de R$ 150 milhões, com descontos previstos em lei.
Em 2023, o Sport Club do Recife negociou R$ 114 milhões de débitos inscritos em dívida ativa da União, obtendo redução de pouco mais de 50% sobre juros, multas e encargos.
Em Minas Gerais, Cruzeiro Esporte Clube e Clube Atlético Mineiro também firmaram acordos. O Cruzeiro renegociou R$ 334 milhões em dívidas, incluindo previdenciárias, enquanto o Atlético acertou cerca de R$ 42 milhões.
Outros grandes clubes, como Esporte Clube Bahia, Clube de Regatas Vasco da Gama, Botafogo Futebol e Regatas, Fluminense Futebol Clube e Clube de Regatas Flamengo, também já realizaram acordos tributários com a PGFN.