Gol do Canadá durante partida da Copa do Mundo em Los Angeles: torneio terá efeitos para a imagem internacional dos EUA (Patrick T. Fallon / AFP)
Repórter
Publicado em 15 de julho de 2026 às 16h58.
Última atualização em 15 de julho de 2026 às 17h27.
Além das excelentes médias de público e quase 100% dos estádios com capacidade máxima, a Copa do Mundo de 2026 deve quebrar outro recorde e se tornar a edição mais rentável de toda a história.
A Fifa não abre os números oficialmente, mas estima-se que a arrecadação deva chegar a US$ 9 bilhões, US$ 2 bilhões a mais do que na edição de 2022, realizada no Catar.
Sem contar a valorização dos contratos de patrocínios e novas ativações, um dos principais motivos para esse aumento está no fato da edição atual ter mais seleções do que as outras disputas, saltando de 32 para 48 participantes.
"Os números mostram que a Fifa conseguiu diversificar suas fontes de receita e reduzir a dependência de um único ativo comercial. O crescimento da Copa de 2026 é resultado de um planejamento que combina expansão do torneio, valorização dos direitos de mídia e aumento das oportunidades de exploração comercial durante o evento. Trata-se de um modelo que fortalece a sustentabilidade financeira da entidade e eleva o patamar econômico da competição", afirma Moises Assayag, especialista em gestão e finanças esportivas.
No balanço financeiro estipulado pela entidade no ciclo que corresponde entre 2023 e 2026, a Fifa também prevê uma receita recorde estimada em US$ 13 bilhões. São US$ 2 bilhões a mais do que havia sido estipulado ao final de 2022, muito em razão do faturamento obtido com a Copa do Mundo de Clubes, realizada em meados de 2025 e que foi considerada um sucesso.
"Mais países, mais atenção, e não somente desses adicionais, mas dos tradicionais, por causa da maior possibilidade de grandes surpresas. A tendência é de que esse crescimento seja ainda maior, já que o mercado dos residentes nos Estados Unidos é mais relevante que quase todo o resto do mundo reunido. O proximo passo é colaborar com as confederações nacionais de China e Índia para que suas seleções estejam presentes nas próximas edições", analisa Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana.
Deste total previsto com faturamento para a Copa, a maior parte das receitas (44%) vem da venda dos direitos de transmissão, cerca de US$ 3,925 bilhões. É seguido de perto pelos setores de hospitalidade e venda de ingressos, com US$ 3,017 bilhões, e direitos de marketing, que devem chegar a US$ 1,786 bilhão.
"Os espaços de hospitalidade foram muito bem explorados pela FIFA durante a Copa do Mundo. Naturalmente, o mercado americano tem uma tendência muito alta para o consumo, com maior disponibilidade de produtos dentro dos estádios, o que eleva o tíquete médio do torcedor", diz Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality, empresa que opera camarotes em dez estádios brasileiros.
Em meio a tudo isso, a Fifa também está lucrando com algo que não existia em qualquer outra edição de Mundial: as pausas para hidratação. Elas valem aproximadamente US$ 500 milhões em receitas publicitárias ao longo do torneio. Cada interrupção de 3 minutos, aplicada aos 22 minutos de cada tempo, gera mais de 4 minutos de publicidade extra por partida, com espaços de 30 segundos vendidos por cerca de US$ 400 mil na televisão.
Ao mesmo tempo, e assim como acontece em grandes eventos e competições, a edição disputada nos Estados Unidos, México e Canadá representou gastos significativos com outros setores da economia, em especial alimentos, bebidas e hotelaria. E o fato da Copa 2026 ser realizada por quase 50 dias, quase o dobro do que os 30 dias de outros anos, potencializou esse faturamento.
De acordo com dados da Bloomberg, o gasto médio dos torcedores chegou a US$ 100 por pessoa durante as partidas, quase o dobro do observado em jogos da NFL. Um outro levantamento do Bank of America aponta uma alta de 6,3% nos gastos realizados com cartões de crédito e débito nas cidades que recebem partidas, em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre visitantes de outras cidades, o avanço foi de 16,7%.
Robson Oliveira, sócio-fundador e presidente da FutebolCard, plataforma que faz gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor, também aponta o elevado patamar dos preços dos ingressos como um dos destaques para impulsionar a arrecadação da FIFA.
“O preço dinâmico dos ingressos aplicados durante o mundial é uma ótima estratégia para maximizar as receitas, apesar de o contrário também ser verdadeiro: a precificação dinâmica pode ajudar a corrigir os casos em que o clube ou a organização erra no preço e o estádio não atinge o público esperado. Além disso, também é possível impulsionar o faturamento ao mapear o perfil exato dos torcedores e oferecer experiências personalizadas, que façam sentido para determinado público”, explica.