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Irã desiste da Copa de 2026 após escalada de conflito com EUA

Governo iraniano afirma que país não participará do Mundial em meio à escalada do conflito com os Estados Unidos

Copa do Mundo: Irã anuncia que não participará do mundial (Sasan / Middle East Images / AFP /Getty Images)

Copa do Mundo: Irã anuncia que não participará do mundial (Sasan / Middle East Images / AFP /Getty Images)

Renan Rodrigues
Renan Rodrigues

Freelancer

Publicado em 11 de março de 2026 às 10h59.

Última atualização em 11 de março de 2026 às 11h01.

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O Irã anunciou nesta quarta-feira, 11, que não participará da Copa do Mundo de 2026, mesmo após ter se classificado pelas Eliminatórias Asiáticas. A declaração foi feita pelo ministro do Esporte do país, Ahmad Donyamali, em meio à escalada do conflito entre o país e os Estados Unidos nas últimas semanas.

Segundo o ministro, o cenário político e militar impede que a seleção iraniana dispute o torneio organizado por Estados Unidos, Canadá e México. A decisão ocorre após ataques militares que levaram à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, fato que agravou as tensões entre os países.

A equipe iraniana havia garantido vaga no Mundial e estava prevista no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, com partidas programadas para cidades norte-americanas como Los Angeles e Seattle.

Conflito político influencia decisão

O cenário de instabilidade no país se agravou após a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro. O aiatolá foi morto durante um ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos em Teerã, que atingiu o complexo onde ele estava. A ofensiva militar marcou o início de uma guerra que já dura mais de dez dias e elevou as tensões no Oriente Médio, com impactos na economia global e incertezas sobre a produção e o fluxo de petróleo no mundo.

Diante desse cenário, o ministro afirmou que o país “não tem condições” de disputar o torneio, indicando que a participação em um evento sediado nos Estados Unidos seria incompatível com a situação atual.

Fifa tenta manter o Irã no torneio

Mais cedo o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que se reuniu com o presidente americano Donald Trump, para discutir a situação envolvendo o Irã. Segundo o dirigente, o líder americano manifestou apoio à participação da seleção iraniana na Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, México e Canadá.

Infantino afirmou nas redes sociais que o tema foi abordado durante o encontro e que Trump reforçou que a equipe iraniana seria bem-vinda para disputar o torneio em território americano.
“Também falamos sobre a situação atual no Irã e sobre o fato de que a seleção iraniana se classificou para disputar a Copa do Mundo de 2026”, escreveu o dirigente.

A incerteza sobre a participação do Irã também aumentou após a ausência do país em uma cúpula de planejamento organizada pela Fifa com seleções classificadas para o Mundial, realizada na semana passada em Atlanta. O encontro reuniu representantes das federações nacionais, mas a delegação iraniana não compareceu, o que reforçou as dúvidas sobre a possibilidade de a equipe atuar em solo americano em meio à escalada do conflito na região.

Em declarações anteriores, Trump afirmou que não vê preocupação na participação iraniana, dizendo que o país foi “muito duramente derrotado” em alusão ao impacto do conflito no país. Infantino, por sua vez, destacou o papel do torneio como um evento global capaz de aproximar nações em meio ao cenário de tensão internacional. “Todos precisamos de um evento como a Copa do Mundo da Fifa para unir as pessoas agora mais do que nunca”, afirmou o presidente da entidade.

A entidade monitora os desdobramentos políticos, já que uma eventual desistência poderia gerar sanções esportivas e multas à federação iraniana.

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Quem pode ocupar a vaga do Irã

Caso a desistência do Irã seja confirmada oficialmente, será um marco para o torneio já que nenhuma seleção na história foi excluída ou banida da fase final da Copa do Mundo. Com isso, a Fifa deverá decidir como preencher a vaga deixada no torneio. O regulamento da entidade prevê que, em caso de retirada de uma federação classificada, a própria entidade tem autonomia para escolher a substituta e adotar as medidas necessárias para manter o formato da competição.

Entre as possibilidades discutidas nos bastidores está a manutenção da vaga dentro da Confederação Asiática de Futebol. Nesse cenário, duas seleções aparecem como candidatas mais prováveis: Iraque e Emirados Árabes Unidos.

O Iraque surge como primeiro nome já que segue vivo no processo classificatório. A seleção avançou na fase final das eliminatórias asiáticas e disputará a repescagem intercontinental contra o vencedor do confronto entre Bolívia e Suriname, em jogo previsto para ocorrer no México. Caso conquiste essa vaga por mérito esportivo, no entanto, a substituição do Irã poderia recair sobre outra equipe da Ásia.

Nesse caso, os Emirados Árabes Unidos aparecem como alternativa. A seleção terminou logo atrás nas posições gerais das eliminatórias da AFC e é uma das mais bem colocadas entre as equipes asiáticas que não conseguiram a classificação direta.

Outra hipótese, considerada menos provável, é a Fifa optar por não substituir o Irã e manter o Grupo G com apenas três seleções — Bélgica, Egito e Nova Zelândia.

A Copa do Mundo de 2026 está programada para começar em 11 de junho e será a primeira edição com 48 seleções participantes.

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