Guerra no Oriente Médio: ataques se ampliam para Líbano e Iraque no 12º dia do conflito. (Sasan / Middle East Images / AFP /Getty Images)
Repórter
Publicado em 11 de março de 2026 às 06h01.
A guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos entrou em seu 12º dia nesta quarta-feira, 11, marcada por novos ataques em diferentes frentes do Oriente Médio, aumento da pressão diplomática internacional e a ampliação da ofensiva israelense no Líbano.
Nas últimas horas, Israel realizou um novo bombardeio em Beirute, enquanto o Irã anunciou uma nova onda de mísseis contra território israelense e bases americanas no Iraque.
Israel bombardeou um edifício residencial em um bairro central de Beirute, no segundo ataque dentro da capital libanesa desde o início da atual campanha aérea.
Segundo a agência estatal Agência Nacional de Notícias do Líbano, o ataque atingiu um apartamento em um prédio localizado no bairro de Aisha Bakkar.
A explosão provocou o desabamento de paredes no andar atingido e também nos pavimentos imediatamente acima e abaixo. Autoridades locais ainda não confirmaram oficialmente o número de vítimas.
A ofensiva aérea israelense no Líbano começou em 2 de março e já deixou 570 mortos, mais de 1.440 feridos e cerca de 759 mil deslocados, segundo dados das autoridades locais.
Três dias antes do novo bombardeio, Israel havia atacado um quarto do Hotel Ramada Beirut, na região da orla da capital. Quatro pessoas morreram no ataque que, segundo o Exército israelense, tinha como alvo comandantes das Força Quds, braço externo da Guarda Revolucionária Islâmica.
Na madrugada desta quarta-feira, pelo horário de Teerã, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou novos ataques contra Israel, bases americanas no Iraque e forças navais dos Estados Unidos na região.
Em comunicado divulgado pela agência iraniana Fars News Agency, o grupo afirmou que mísseis atingiram “o coração de Tel Aviv”, principal centro econômico de Israel.
As Forças de Defesa de Israel informaram que detectaram os lançamentos e afirmaram que sistemas de defesa estavam atuando para interceptar os projéteis.
O Irã também disse ter atacado bases americanas em Erbil, capital da região do Curdistão iraquiano, e forças navais da Quinta Frota dos Estados Unidos mobilizadas no Oriente Médio.
Desde o início da guerra, os bombardeios iranianos contra Israel deixaram dez mortos, segundo autoridades israelenses.
Os confrontos se intensificaram no território iraquiano nos últimos dias.
Autoridades locais relataram um bombardeio na província de Kirkuk, no Curdistão iraquiano, que matou cinco membros das milícias das Forças de Mobilização Popular, grupo paramilitar integrado às Forças Armadas do país.
O presidente do Iraque, Abdelatif Rashid, e o primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani reiteraram apoio ao Irã.Sudani também pediu ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, que o território iraquiano não seja utilizado para ações militares contra países vizinhos.
A França afirmou que não pretende participar do conflito.
O ministro das Relações Exteriores, Jean‑Noël Barrot, disse que Paris não aprova a guerra e defendeu uma desescalada rápida das hostilidades.
Segundo ele, o governo francês trabalha para proteger seus cidadãos e garantir a segurança da navegação no Mar Vermelho e no Golfo Pérsico, regiões estratégicas para o transporte global de energia.
O presidente Emmanuel Macron convocou uma reunião por videoconferência com líderes do G7 para discutir os impactos econômicos da guerra, especialmente nos mercados de petróleo e energia.
A guerra também teve reflexos fora do Oriente Médio. Sete integrantes da delegação da seleção feminina de futebol do Irã solicitaram proteção humanitária após disputar a Copa da Ásia Feminina na Austrália.
Cinco jogadoras e duas integrantes da comissão técnica receberam vistos humanitários por motivos de segurança.
Nesta quarta-feira, o ministro do Interior australiano, Tony Burke, informou que uma das atletas decidiu retornar ao Irã após entrar em contato com a embaixada do país.
As demais integrantes do grupo que desejam permanecer na Austrália foram transferidas para outro local para garantir sua segurança.
*Com EFE e AFP