Fórmula 1: Federação analisa motores da temporada de fórmula 1 (JOHN THYS / AFP)
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Publicado em 6 de agosto de 2026 às 14h33.
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) reconheceu que identificou, ainda antes do início da temporada 2026 da Fórmula 1, parte dos problemas causados pelo novo regulamento técnico. No entanto, segundo a entidade, as mudanças necessárias não foram implementadas porque não houve apoio suficiente das fabricantes de motores.
A explicação foi dada por Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, após as críticas de pilotos como Lewis Hamilton e Carlos Sainz ao gerenciamento de energia dos carros. O tema ganhou força depois do GP da Bélgica, quando diversos pilotos enfrentaram perda de potência nas longas retas de Spa-Francorchamps.
Tombazis afirmou que a FIA antecipou boa parte das dificuldades enfrentadas pelas equipes e tentou promover ajustes ainda nos dois anos que antecederam a estreia do novo regulamento.
"Nós antecipamos muitas das questões de que eles reclamaram nos dois anos anteriores ao começo da temporada e tentamos fazer alguns ajustes. Mas falhamos por causa do sistema de governança que estava em vigor", afirmou.
Segundo o dirigente, qualquer alteração nas regras das unidades de potência dependia da aprovação do Comitê Consultivo de Unidades de Potência. Para mudanças relevantes, era necessário o aval da FIA, da Fórmula 1 e de pelo menos quatro das cinco fabricantes envolvidas no projeto.
De acordo com Tombazis, quatro montadoras se posicionaram contra as propostas apresentadas pela entidade.
Um dos principais críticos do regulamento foi Carlos Sainz. O espanhol questionou como as simulações realizadas entre 2022 e 2023 não impediram que as regras fossem aprovadas.
"Quem viu essas simulações em 2022 e 2023 e não perguntou como aquilo poderia ser aceito precisa rever o que aconteceu, porque isso nunca deveria ter ocorrido", declarou.
Lewis Hamilton também demonstrou insatisfação e afirmou que não entendia por que o regulamento foi mantido, destacando que os responsáveis pela decisão continuavam ocupando seus cargos.
As críticas surgiram após os carros apresentarem dificuldades para completar as retas de Spa com potência máxima. O regulamento de 2026 aumentou significativamente a participação do sistema elétrico nas unidades de potência, estabelecendo uma divisão próxima de 50% entre o motor a combustão e o componente elétrico.
Entre as propostas defendidas pela FIA estava a redução da potência máxima utilizada pelo sistema elétrico durante as corridas para 200 kW. A medida foi discutida antes do início da temporada, mas acabou rejeitada.
Segundo Tombazis, o modelo de governança foi criado para garantir igualdade entre fabricantes já estabelecidas e novas montadoras, como a Audi, que ingressou na Fórmula 1 sob as mesmas regras financeiras e operacionais.
Como consequência, a FIA perdeu parte da autonomia para modificar o regulamento sem o respaldo das empresas.
Após os problemas registrados nas primeiras etapas do campeonato, a Fórmula 1 adotou medidas emergenciais a partir do GP de Miami, disputado em maio, para melhorar o gerenciamento de energia dos carros.
Além disso, a categoria definiu uma transição gradual para reduzir a dependência da energia elétrica. O plano prevê que, até 2028, a proporção passe dos atuais 50% para aproximadamente 60% de potência proveniente do motor a combustão e 40% do sistema elétrico.
"É uma pena termos precisado esperar até este momento. Discutimos as mudanças em maio para definir o pacote de 2027 e 2028. Poderíamos ter feito isso dois anos antes e evitado toda essa discussão", concluiu.