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De Rio de Janeiro a Tóquio: como a NFL está ampliando suas fronteiras

A NFL planeja seu retorno ao mercado japonês após mais de duas décadas e quer seguir se expandindo pelo mundo.

Com nove jogos internacionais em 2026, liga aposta em métricas de engajamento para dominar novos mercados comerciais. (Reprodução/NFL) (Divulgação)

Com nove jogos internacionais em 2026, liga aposta em métricas de engajamento para dominar novos mercados comerciais. (Reprodução/NFL) (Divulgação)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 17h55.

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A bola oval está, definitivamente, rompendo as fronteiras logísticas e comerciais dos Estados Unidos. A National Football League (NFL) consolidou o seu projeto de globalização, transformando a exportação física de seu produto esportivo na principal via de crescimento de receita para a próxima década.

Para a temporada regular de 2026, a liga promoverá a campanha internacional mais agressiva de sua história, agendando nove partidas oficiais fora do território norte-americano logo nas primeiras 11 semanas de competição.

O movimento passa longe de ser apenas esportivo; trata-se de um projeto estruturado de aquisição de clientes, focado em dominar mercados estratégicos, alavancar a venda de mercadorias e valorizar os direitos de transmissão ao redor do mundo.

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O calendário da nova temporada servirá como um divisor de águas logístico. A abertura da série internacional ocorrerá com um marco inédito no outro lado do mundo: o primeiro jogo da NFL na Austrália, colocando frente a frente as potências da costa oeste San Francisco 49ers e Los Angeles Rams no Melbourne Cricket Ground.

Segundo reportagem da The Athletic, o roteiro de 2026 evidencia a ambição da liga de pulverizar o esporte em diferentes fusos horários e culturas de consumo, com forte peso na Europa e na América Latina. O Brasil segue firme na rota com um confronto de peso na Semana 3 entre Baltimore Ravens e Dallas Cowboys, no Rio de Janeiro.

A liga também fará sua estreia em solo francês, com um duelo entre Pittsburgh Steelers e New Orleans Saints (Semana 7, em Paris), e em solo espanhol, onde Cincinnati Bengals e Atlanta Falcons se enfrentarão em Madri (Semana 9). O tradicional mercado de Londres receberá três jogos consecutivos (Semanas 4, 5 e 6), enquanto Munique, na Alemanha, sediará New England Patriots e Detroit Lions (Semana 10), e a Cidade do México fechará a turnê recebendo Minnesota Vikings e San Francisco 49ers na Semana 11.

A ciência de dados por trás da expansão

Expandir uma operação com as exigências técnicas da NFL requer justificativas financeiras sólidas. Segundo Peter O’Reilly, vice-presidente executivo de negócios de clubes e eventos internacionais da liga, não há espaço para apostas às cegas na escolha das sedes; o plano de negócios é ditado por ciência de dados.

"Nós levamos esse processo muito, muito a sério. Somos bastante metódicos", explicou O’Reilly durante uma teleconferência com a imprensa. "Analisamos detalhadamente os dados de consumo dos fãs e o engajamento no mercado local. Observamos as oportunidades estratégicas daquela região e mapeamos onde as nossas próprias franquias já estão ativas e onde desejam fincar bandeira comercialmente."

A consolidação da NFL no exterior seguiu um planejamento em fases: começou como um campo de testes no México, solidificou uma base rentável no Reino Unido e, amparada pelas métricas de engajamento, desaguou nos novos mercados europeus e sul-americanos. De acordo com a The Athletic, a liga transformou essas nações em seu conjunto principal de atuação, criando um ecossistema que retroalimenta a venda do pacote de streaming global (o NFL Game Pass Internacional) e engorda o balanço patrimonial dos times.

O Japão e o objetivo das 16 partidas

Segundo o The Athletic, com a engrenagem de internacionalização girando a todo vapor, os executivos já mapeiam a próxima fronteira: o mercado asiático. O’Reilly confirmou que, embora ainda não haja um cronograma imediato fechado, a liga iniciou intensas pesquisas de viabilidade para sediar um jogo de temporada regular no Japão em um futuro próximo. Historicamente, o país não é um território virgem para o futebol americano, já que abrigou partidas de pré-temporada até 2005. Contudo, o desembarque de um confronto oficial validaria uma nova escalada de monetização no Oriente.

A meta corporativa final das 32 franquias e do comissário Roger Goodell é ainda mais audaciosa. No ano passado, os proprietários aprovaram internamente uma medida para expandir o limite da série internacional para 10 jogos anuais, mas o plano a longo prazo é atingir a marca de 16 jogos globais por temporada. Esse cenário garantiria, na prática, que a NFL atuasse como um produto exportado quase todas as semanas.

O grande obstáculo para esse teto não é a falta de demanda internacional, mas sim a governança interna. Qualquer aumento drástico no número de viagens internacionais exigirá negociações com a NFL Players Association (NFLPA), o sindicato dos atletas, que historicamente impõe barreiras sobre o desgaste físico extra causado por voos intercontinentais. Superadas essas questões trabalhistas, a liga tem um caminho livre para provar, na ponta do lápis, que o seu teto de faturamento não está mais restrito às fronteiras da América do Norte.

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