Roberto Jalonetsky: CEO da Speedo Multisport. (Guilherme Teresani/Divulgação)
Repórter
Publicado em 8 de dezembro de 2025 às 17h01.
Por décadas, a Speedo ocupou um lugar confortável no imaginário esportivo brasileiro, sempre associada ao universo aquático e às piscinas. Enquanto isso, o mercado fitness do país passava por uma das maiores transformações de sua história. Em 2025, o Brasil consolidou-se como o segundo maior mercado de academias do mundo, com 30 mil unidades em operação e um faturamento anual superior a R$ 11 bilhões. Ainda assim, apenas 5% da população frequenta academias, um contraste significativo em relação aos 21% dos Estados Unidos. A lacuna revela um campo raro de expansão em setores já maduros.
Marca de suplementos para fertilidade e longevidade de mulheres recebe US$ 27 miA Speedo identificou nesse movimento a chance de repensar sua própria identidade. A empresa percebeu que continuar restrita à água poderia significar perder relevância em um país que ampliou o conceito de esporte e bem-estar. O consumo de produtos esportivos passou a reunir estilo, tecnologia e rotinas híbridas. Provas de corrida lotam ruas, quadras de beach tennis se multiplicam e o consumidor transita de forma natural entre performance e lifestyle.
Foi assim que a Speedo iniciou uma diversificação profunda. O portfólio atual inclui cosméticos, suplementação, relógios, óculos, roupas para beach tennis e linhas completas de lifestyle esportivo. A estratégia transformou a companhia em uma marca que opera dentro e fora do esporte tradicional. O resultado apareceu rapidamente: o faturamento de 2025 superou R$ 75 milhões, com crescimento de 45% impulsionado por novas categorias e pela ampliação do público.
O passo mais ousado veio com a entrada no segmento de academias. Diferentemente das demais categorias, a presença dentro de salas de musculação exige equipamentos altamente tecnológicos, duráveis e consistentes em design. O consumidor testa, toca, desgasta e depende dessas máquinas diariamente. Para avançar nesse território, a empresa firmou uma parceria exclusiva com a Casa do Fitness, companhia com duas décadas de atuação no desenvolvimento de equipamentos profissionais. A parceria abriu portas para redes como Bluefit, Selfit, Skyfit e Panobianco, todas em forte expansão nacional.
"Vivemos um período em que mudanças geopolíticas e comerciais impactam todas as cadeias de consumo, e quem não se adapta perde relevância. Em momentos de incerteza, as empresas que inovam abrem espaço em mercados dominados por poucos players", afirma Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo Multisport.
O movimento, no entanto, também apresenta riscos. A diversificação exige cuidado para não fragilizar a identidade construída ao longo de décadas. Marcas esportivas que tentaram expandir rapidamente enfrentaram o dilema entre ampliar território e preservar autenticidade. No caso da Speedo, essa tensão é ainda mais sensível no ambiente das academias, onde durabilidade, precisão e confiança são atributos essenciais.
Mesmo assim, a empresa acredita que o momento é único. O mercado brasileiro de fitness está mais profissionalizado, a população envelhece de forma ativa e cresce a disposição para investir em saúde e bem-estar. A Speedo parece apostar na ideia de que participar de diferentes etapas da jornada esportiva do consumidor cria relevância duradoura. O desafio será equilibrar escala e coerência.