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Como a Copa do Mundo de 2026 transformou arenas em laboratórios de vigilância

Biometria facial avança nas arenas para controlar acessos, identificar pessoas procuradas e acompanhar torcedores em tempo real

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 17 de julho de 2026 às 10h08.

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A Copa do Mundo de 2026 deve deixar um legado que ultrapassa o campo esportivo. A competição consolidou o uso de tecnologias de segurança em larga escala, com a adoção de câmeras equipadas com inteligência artificial, sistemas antidrone, cães-robô e ferramentas de reconhecimento facial. O conjunto de soluções transformou o entorno dos estádios em um ambiente de monitoramento intensivo.

Ao longo do torneio, o reconhecimento facial foi utilizado principalmente para o acompanhamento de multidões e o reforço da segurança nas áreas externas das arenas. Em cidades-sede como Boston, Miami e Atlanta, parte dos estádios também prepara a adoção de sistemas que permitem tanto a entrada nas instalações quanto a realização de compras por meio da identificação facial previamente cadastrada.

A expansão dessas tecnologias, embora voltada à segurança, também alimenta discussões sobre privacidade. No Brasil, o uso do reconhecimento facial em estádios já ocupa posição de destaque, especialmente no controle de acesso de torcedores e na identificação de pessoas com pendências judiciais. A obrigatoriedade da biometria facial em arenas com capacidade superior a 20 mil espectadores foi estabelecida pela Lei Geral do Esporte, publicada em 14 de junho de 2023, que determinou prazo até 2025 para adequação.

Casos recentes demonstram a aplicação prática da medida. Em abril de 2026, o sistema Muralha Paulista identificou cinco foragidos da Justiça que tentavam acessar a Neo Química Arena para acompanhar um clássico paulista. Integrado ao Banco Nacional de Mandados de Prisão, o sistema reconheceu os indivíduos e permitiu sua localização nas imediações do estádio.

Segundo Tironi Paz Ortiz, CEO da Imply ElevenTickets, empresa especializada em tecnologias e serviços para clubes e eventos, “A tecnologia é uma grande aliada para garantir a segurança nos estádios. No Brasil, por exemplo, essa lógica já é aplicada nos locais com capacidade acima de 20 mil pessoas. Isso ocorre desde o momento do acesso ao estádio. Os torcedores utilizam o próprio rosto como forma de ingresso e, a partir disso, esse cadastro facial também pode ser cruzado com dados do governo federal e sistemas de segurança estaduais”.

A Imply fornece soluções de reconhecimento facial para arenas como Beira-Rio, Arena Castelão, Arena da Baixada, Estádio São Januário, Estádio Monumental Colo-Colo, Casa de Apostas Arena Fonte Nova e Arena Independência. De acordo com Tironi, “Hoje o nosso sistema tem uma acuracidade de 99,9%. Todos os dados que coletamos são de propriedade do clube, que é detentor deles e os utiliza em prol da facilidade dos torcedores e da manutenção da segurança no ambiente”.

A empresa também foi a primeira a integrar sua tecnologia ao sistema CORTEX, do Ministério da Justiça. A conexão permite validar as informações de cada pessoa durante o processo de cadastro, comparando o rosto do usuário com documentos oficiais e bases de dados governamentais. A medida busca reduzir fraudes e ampliar a segurança no acesso às arenas.

Outra funcionalidade disponível é a integração entre os sistemas de reconhecimento facial e as redes de CFTV (Circuito Fechado de Televisão) dos estádios. A combinação das tecnologias possibilita acompanhar a localização de torcedores em tempo real dentro das arenas.

"Por exemplo, se determinada pessoa entrou no estádio e eu necessito saber onde ela está sentada, com o sistema de CFTV conseguimos fazer esse rastreamento, indicando o setor, a fileira e o número da cadeira. Então, é possível saber exatamente onde determinado torcedor está, caso seja necessário fazer alguma intervenção. Isso traz mais segurança e foi uma novidade que trouxemos por meio de nossa API”, explica Tironi Paz Ortiz.

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