Integração entre canais físicos e digitais redefine o sucesso operacional e logístico no varejo (3rdtimeluckystudio/Shutterstock)
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Publicado em 17 de julho de 2026 às 10h00.
Por Helena Vito Costa, Diretora de Varejo na nstech.
O varejo que ainda trata omnichannel como projeto de inovação já ficou para trás.
Em 2026, integrar canais não é vantagem competitiva — é requisito mínimo de operação. O consumidor não pensa em canais.
Ele pesquisa no GPT, descobre no TikTok Shop, compra no app, devolve na loja. Ele já é omnichannel. A questão é se a sua operação consegue acompanhar.
E aqui mora o risco real: não é só o risco de colocar tudo a perder em um pico de demanda.
É o risco de perder escala, margem e cliente todos os dias — silenciosamente — por falta de estrutura logística integrada.
O varejo físico deixou de ser só ponto de venda. Virou experiência, centro de distribuição, ponto de devolução e vitrine de marca simultaneamente.
O digital, por sua vez, virou canal de vendas democrático e massivo — e cada vez mais disputado por novos formatos.
Live Shopping e TikTok Shop não são tendências emergentes: são fenômenos ativos que já movimentam bilhões e exigem fulfillment em tempo real.
E a IA? O consumidor já busca produtos no ChatGPT. Isso não é ficção científica — é o funil de compra se redesenhando agora.
Quem não tem operação logística preparada para responder a essa velocidade perde a venda antes mesmo de entrar na concorrência.
O omnichannel bem executado usa tudo isso a seu favor: o estoque da loja como mini-CD, o ship-from-store reduzindo last-mile, o click & collect aumentando tráfego físico.
Ele é, paradoxalmente, mais eficiente do que o digital e o físico operando separados — e mais rentável.
Mas só quando a rede logística está preparada e conectada.
Black Friday, Natal, Dia das Mães. Os picos de demanda são o momento em que a fragilidade estrutural se torna visível — para a empresa e para o cliente.
O varejista que não tiene visibilidade de custo por canal no cotidiano não tem como planejar frete seis meses à frente.
O que aparece no pico é consequência de um problema que já existia em toda semana comum.
Depois de acompanhar de perto operações de grandes redes varejistas, três dores aparecem de forma consistente:
Custo de frete que ninguém consegue decompor — por canal, origem ou destino. A margem sangra, mas ninguém sabe exatamente onde;
Dependência de poucos transportadores — operações concentradas que viram gargalo nos momentos de maior demanda e impedem escala;
Perda de cliente por experiência ruim — rastreamento impreciso, entrega sem comprovação, pós-compra sem visibilidade. O cliente que tem uma experiência ruim na entrega não reclama: ele vai embora;
Sem controle sobre esses três pontos, crescimento em omnichannel vira sinônimo de pressão sobre margem.
Riachuelo e O Boticário são exemplos reais de varejistas omnichannel que registraram resultados recordes nos últimos anos combinando tecnologia e logística de forma integrada.
Em 2024, o Grupo Boticário atingiu a marca de R$ 35,7 bilhões em vendas totais, quase 20% a mais que o ano anterior. O crescimento é fruto de uma estratégia multimarca e omnicanal focada na experiência do cliente, com investimentos em inovação operacional e logística.
O grupo segue atingindo patamares acima do projetado e, até 2027, tem previsão de crescimento de 7,2%, segundo a Associação Brasileira da Indústria da Higiene Pessoal (ABIHPEC).
Já a Riachuelo registrou lucro líquido de R$ 322 milhões no quarto trimestre de 2025, crescimento de 28,8% na comparação anual, o maior para um quarto trimestre dos últimos cinco anos.
Omnichannel bem executado não é agenda de marketing. É agenda financeira. E a rede logística que sustenta isso precisa estar tão integrada quanto o consumidor atendido.