US Open tem cada vez mais a presença de influencers, o que tem incomodado os fãs de tênis. (Foto: USTA)
Redator na Exame
Publicado em 14 de setembro de 2026 às 20h23.
RESUMO | Reportagem do Yahoo Sports aponta que o US Open enfrenta dois grandes desafios fora das quadras: a obsessão cultural por influenciadores digitais e a concorrência direta com a Semana 1 da NFL. Embora finais memoráveis — como a vitória de Alexander Zverev sobre Ben Shelton no masculino e o triunfo de Elena Rybakina ante Aryna Sabalenka no feminino — tenham coroado o torneio em Nova York, o evento sofre para manter o foco na modalidade em meio ao apelo pop e ao peso do calendário do futebol americano.
O prestigiado US Open encerrou sua edição de 2026 no topo da emoção esportiva, mas a cobertura e a recepção do evento evidenciam que o maior torneio de tênis do mundo precisa lidar com pressões externas crescentes. Enquanto os duelos decisivos em quadra entregaram grandes espetáculos, o ambiente ao redor do Arthur Ashe Stadium seguiu intensamente dividido entre a paixão pelo esporte e o consumo de status digital.
Segundo reportagem do Yahoo Sports, a presença massiva de influenciadores e celebridades nos corredores e arquibancadas dominou parte do noticiário e gerou desconforto entre os fãs tradicionais. Com espectadores muitas vezes alheios às regras básicas de etiqueta, como circular ou falar enquanto o ponto está em andamento, a atmosfera de tapete vermelho impulsou tendências de redes sociais e bebidas populares, transformando por vezes o palco do tênis em um cenário secundário para a busca de visibilidade na internet.
No entanto, o obstáculo mais complexo apontado pela análise especializada não está nas lentes das câmeras de celular, mas sim no próprio calendário esportivo norte-americano. Posicionado estrategicamente entre o final de agosto e o início de setembro, tendo o feriado de Labor Day no meio, o Grand Slam americano colide com a abertura oficial da temporada da NFL, que paralisa a atenção do público e da mídia dos Estados Unidos.
Enquanto outras ligas e modalidades esportivas estruturam suas programações para fugir da força hegemônica do futebol americano, o US Open mantém datas tradicionais que o colocam em rota com os domingos mais aguardados do ano. Soluções viáveis para o impasse esbarram em barreiras logísticas: antecipar o torneio para o pleno verão exporia atletas e torcedores ao calor extenuante de Nova York, enquanto adiá-lo para o outono desestruturaria todo o circuito profissional de tênis.
Segundo o Yahoo Sports, conflito de atenções com a NFL evidencia um dilema estrutural que a USTA precisa enfrentar nos próximos anos. Com o apelo avassalador do futebol americano dominando as telas e as conversas no país durante o mês de setembro, o tênis perde espaço precioso no horário nobre da televisão e na cobertura jornalística de massa exata quando seus campeões começam a ser coroados.
Enquanto outras ligas globais adaptam seus calendários para maximizar receitas de transmissão, a relutância do US Open em flexibilizar suas datas mantém o torneio vulnerável. A necessidade de inovação na gestão do evento torna-se evidente para que a grandiosidade dos confrontos em quadra não fique ofuscada pela gigante máquina de entretenimento da NFL.
Diante desse cenário de disputa agressiva por audiência, especialistas e analistas debatem possíveis reestruturações no cronograma do torneio. Mudar a final masculina para a segunda-feira à noite surge como uma alternativa lógica para mitigar a concorrência direta de transmissão e recuperar a exclusividade dos holofotes televisivos, embora exija romper com a tradição histórica do domingo de encerramento e enfrentar resistências do mercado internacional.
No entanto, qualquer mudança de calendário precisa preservar o brilho e a paridade de tratamento das decisões de simples. O final de semana decisivo de 2026 consagrou duas batalhas memoráveis: no feminino, Elena Rybakina superou Aryna Sabalenka em uma final emocionante de três sets e conquistou o seu primeiro US Open; no masculino, Alexander Zverev bateu Ben Shelton em quatro sets intensos, também conquistou seu troféu pela primeira vez em Nova York.
O prestígio e o impacto financeiro do US Open alcançaram novos patamares na edição de 2026, marcada pela maior premiação da história do tênis mundial. Os vencedores das chaves de simples — tanto no masculino quanto no feminino — faturaram uma bolsa histórica de US$ 5,5 milhões cada (cerca de R$ 28 milhões). O montante representa um aumento de 10% em relação aos valores pagos em 2025, configurando o maior pagamento já registrado para um campeão de Grand Slam.
Esse salto na distribuição financeira faz parte de um pacote recorde de US$ 108 milhões (aproximadamente R$ 560 milhões) distribuídos ao longo do torneio em Nova York, superando expressivamente os US$ 90 milhões (R$ 463 milhões) do ano anterior. O impacto dessa injeção de capital foi sentido desde as fases preliminares: tenistas eliminados na primeira rodada do qualifying embolsaram US$ 32 mil (R$ 164 mil) , enquanto os classificados para a chave principal garantiram ao menos US$ 66 mil (R$ 339 mil) antes mesmo de pisar nas quadras do complexo de Flushing Meadows, de acordo com o Yahoo Sports.
A bolada recorde coroa o momento de glória em quadra e serve como resposta direta à crescente pressão exercida pelas principais estrelas do circuito. Em maio, nomes consagrados como Jannik Sinner, Aryna Sabalenka, Novak Djokovic e Coco Gauff assinaram uma declaração conjunta cobrando dos quatro Grand Slams uma maior participação dos atletas nas receitas geradas pelos eventos, além de melhores condições de trabalho e benefícios previdenciários. Embora o novo patamar financeiro do US Open tenha sido celebrado pelos atletas como um avanço importante nas negociações de 18 meses com a organização, os tenistas reforçam que a meta de longo prazo continua sendo estabelecer uma fórmula fixa de divisão de receitas para os próximos anos.
A reportagem destaca o impacto superficial dos influenciadores digitais nas arquibancadas e, principalmente, a concorrência direta do calendário do torneio com a Semana 1 da NFL.
No torneio masculino, Alexander Zverev derrotou Ben Shelton em quatro sets. No feminino, Elena Rybakina superou Aryna Sabalenka em uma batalha de três sets.
O torneio acontece no final do verão e termina em setembro, coincidindo diretamente com a estreia da temporada da NFL, o que desvia a atenção da mídia norte-americana do esporte da raquete.
Especialistas debatem opções como mover a final masculina para a segunda-feira à noite, já que antecipar o torneio traria problemas com o forte calor e adiá-lo afetaria o calendário global de outono.
A busca por aparições em telões e fotos nas dependências do complexo gera aglomerações e momentos de distração nas arquibancadas, muitas vezes desrespeitando o silêncio necessário durante as partidas.